Em nota, Toffoli confirma que foi sócio de resort mas nega relação com Vorcaro

Ministro afirma que vendeu cotas ligadas ao resort Tayayá antes de receber ação sobre o Banco Master no STF

O ministro Dias Toffoli confirmou, por meio de nota oficial, que integra o quadro societário da empresa Maridt, que foi uma das proprietárias do resort Tayayá, no Paraná, informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

No comunicado, o ministro detalha que a Maridt participou do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025 e que a alienação da participação ocorreu por meio de duas operações sucessivas. A primeira envolveu a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021. A segunda correspondeu à venda do saldo remanescente à empresa PHD Holding, concluída em 21 de fevereiro de 2025.

O Fundo Arllen integra a rede de fundos associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.

Relatório da PF e menções à Maridt

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal relatório contendo mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel. Nos diálogos, há referências a pagamentos direcionados à Maridt, empresa da qual Toffoli recebia dividendos.

Segundo as investigações, as transferências estariam relacionadas à aquisição do resort Tayayá. O relatório não aponta recebimento direto de valores pelo ministro, mas menciona a empresa da qual ele é sócio.

A divulgação das informações reacendeu o debate sobre eventual conflito de interesses, uma vez que Toffoli é relator de processo relacionado à compra do Banco Master pelo BRB.

Leia nota de Toffoli na íntegra

“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.

Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.

De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.

Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição. A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025.

Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.”

Cronologia e contexto

No texto, Toffoli enfatiza que a venda das cotas ocorreu anos antes da distribuição da ação relacionada ao Banco Master ao seu gabinete, em 28 de novembro de 2025. Ele também sustenta que a participação societária estava regular e declarada à Receita Federal, além de ter sido realizada a valores de mercado.

O ministro nega qualquer vínculo pessoal com Daniel Vorcaro e afirma não conhecer o gestor do Fundo Arllen, que adquiriu parte das cotas da Maridt.

A discussão ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e à análise de possíveis conexões societárias envolvendo fundos e empresas ligadas ao caso. Até o momento, não há decisão formal sobre eventual impedimento ou suspeição do ministro no processo.

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