O comércio varejista brasileiro voltou a dar sinais de desaceleração em maio, informa a colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo. Após registrar retração no mês anterior, o setor apresentou nova queda na comparação mensal, reforçando um cenário de perda gradual de ritmo da atividade econômica, especialmente em segmentos mais dependentes do crédito. Dados do Índice do Varejo Stone (IVS) mostram que as vendas caíram 0,8% em maio em relação a abril. Apesar do resultado negativo no curto prazo, o desempenho segue positivo na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o varejo registrou crescimento de 2,8%.
O levantamento acompanha mensalmente a movimentação do comércio em todo o país e é considerado um dos principais termômetros da atividade varejista. Para o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, os números refletem um ambiente de consumo mais cauteloso por parte das famílias brasileiras.
“O segundo recuo consecutivo na comparação mensal indica uma perda de fôlego da atividade varejista, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito. Por outro lado, o mercado de trabalho continua resiliente, com renda em patamar elevado e desemprego próximo das mínimas históricas, o que ajuda a sustentar o consumo das famílias. Ainda assim, o elevado comprometimento da renda com dívidas e o alto custo do crédito seguem limitando uma recuperação mais consistente do varejo.”
Segundo o especialista, a combinação entre emprego aquecido e renda mais elevada continua funcionando como um importante fator de sustentação do consumo, embora o endividamento e os juros elevados sigam pressionando o orçamento das famílias.
Livros e vestuário lideram crescimento no mês
Mesmo com a retração geral das vendas, metade dos segmentos analisados pelo índice apresentou desempenho positivo em maio.
O maior crescimento foi observado no setor de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria, que avançou 13,4% na comparação com abril. Em seguida aparecem os segmentos de Tecidos, Vestuário e Calçados, com alta de 2,6%, Móveis e Eletrodomésticos, com crescimento de 1,5%, e Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, que registraram avanço de 0,9%.
Por outro lado, quatro segmentos encerraram o mês em queda.
O setor de Material de Construção apresentou retração de 2,4%, seguido por Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, com queda de 1,6%. Também registraram desempenho negativo os segmentos de Artigos Farmacêuticos, com recuo de 1,1%, e Combustíveis e Lubrificantes, que caíram 0,8%.
Comparação anual mostra cenário mais favorável
Quando a análise leva em consideração os últimos 12 meses, o quadro se mostra mais positivo para o comércio brasileiro. Dos oito segmentos avaliados, sete registraram crescimento em relação a maio de 2025. Mais uma vez, o destaque ficou com Livros, Jornais, Revistas e Papelaria, que apresentou expansão de 15%.
Na sequência aparecem Combustíveis e Lubrificantes, com crescimento de 11,9%; Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, com alta de 4,6%; Tecidos, Vestuário e Calçados, com avanço de 3,4%; Móveis e Eletrodomésticos, que cresceram 2,5%; Artigos Farmacêuticos, com 2%; e Material de Construção, com aumento de 1,9%.
O único segmento que apresentou retração no comparativo anual foi o de Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, com queda de 0,3%.
Rio de Janeiro está entre os destaques do país
A análise regional revela que o crescimento do varejo foi disseminado pela maior parte do território nacional. Na comparação com maio do ano passado, 23 unidades da federação registraram aumento nas vendas. Santa Catarina liderou o ranking nacional, com crescimento de 5,8%, seguida por Pará, com 5,7%, e Mato Grosso do Sul, com 5,5%.
O Rio de Janeiro apareceu entre os estados de melhor desempenho do país, registrando avanço de 5,2%, percentual igual ao observado no Amazonas. O resultado colocou o estado entre os cinco maiores crescimentos do Brasil no período.
Também tiveram desempenho expressivo Amapá (5,1%), Sergipe (4,8%), Rondônia (4,5%), Mato Grosso (3,9%) e São Paulo (3,8%).
Outros estados com crescimento foram Piauí e Pernambuco (3,7%), Espírito Santo (3,6%), Bahia (3,2%), Maranhão (2,8%), Rio Grande do Sul (2,4%), Minas Gerais (2,2%), Paraná e Goiás (1,7%), Tocantins (1,6%), Rio Grande do Norte (1,4%), além de Roraima e Paraíba, ambos com 1,1%.






Deixe um comentário