A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira traz um dado que chama a atenção do Palácio do Planalto: a melhora da avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os eleitores evangélicos, grupo que historicamente representa um dos maiores desafios para o governo e que teve papel central nas eleições presidenciais de 2022.
Embora a desaprovação ainda seja amplamente majoritária nesse segmento da população, os números indicam uma redução significativa da distância entre os que aprovam e os que desaprovam a gestão federal.
Segundo o levantamento, 35% dos evangélicos aprovam atualmente o governo Lula, enquanto 60% desaprovam. O resultado representa o melhor desempenho do presidente nesse grupo desde fevereiro e reforça uma tendência de recuperação observada nas últimas pesquisas.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 6 e 8 de junho, com 2.004 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Diferença diminui em apenas um mês
O avanço se torna mais evidente quando comparado aos números registrados na rodada anterior da pesquisa.
Em maio, apenas 30% dos evangélicos aprovavam o governo, enquanto 65% manifestavam desaprovação. Naquele momento, a distância entre os dois indicadores era de 35 pontos percentuais.
Agora, esse intervalo caiu para 25 pontos, resultado da combinação entre o aumento da aprovação e a redução da desaprovação.
Na prática, Lula ganhou cinco pontos percentuais de aprovação entre os evangélicos e reduziu em cinco pontos o índice de desaprovação no período de apenas um mês.
O movimento é considerado relevante porque esse segmento tem sido um dos mais resistentes ao governo desde o início do mandato.
Recuperação ocorre pelo segundo levantamento consecutivo
Os números também mostram que a melhora não ocorreu de forma isolada.
A pesquisa aponta que o desempenho de Lula entre os evangélicos vem apresentando evolução em duas rodadas consecutivas do levantamento, interrompendo um período de desgaste mais intenso observado nos meses anteriores.
O resultado atual se aproxima dos índices registrados em fevereiro, quando o presidente também havia alcançado um desempenho relativamente melhor nesse grupo religioso.
Ainda assim, os dados revelam que a desaprovação continua predominando com folga. Seis em cada dez evangélicos afirmam desaprovar o trabalho realizado pelo presidente, enquanto pouco mais de um terço manifesta apoio à administração federal.
Segmento é estratégico para 2026
A evolução dos números ocorre em um contexto de crescente preocupação dos partidos com a disputa pelo eleitorado evangélico, que representa uma parcela cada vez mais relevante da população brasileira.
Nas últimas eleições presidenciais, o segmento se consolidou como uma das principais bases de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e da direita conservadora.
Desde o início do atual mandato, integrantes do governo e aliados políticos de Lula vêm buscando ampliar o diálogo com lideranças religiosas e reduzir a resistência encontrada nesse eleitorado.
A melhora registrada pela Quaest sugere que parte dessas iniciativas pode estar produzindo efeitos, ainda que de forma gradual e insuficiente para alterar o quadro geral de predominância da desaprovação.
Desafio permanece para o governo
Apesar do avanço observado na pesquisa, os números deixam claro que o eleitorado evangélico continua sendo um dos maiores obstáculos para a ampliação da popularidade do presidente.
Enquanto Lula registra índices de aprovação mais elevados entre católicos, beneficiários de programas sociais e eleitores de menor renda, o segmento evangélico segue apresentando uma das avaliações mais críticas ao governo.
A redução da diferença entre aprovação e desaprovação, no entanto, é vista como um sinal relevante para o Palácio do Planalto, especialmente em um cenário de preparação para as disputas eleitorais de 2026.
Se a tendência de recuperação continuar nas próximas pesquisas, o governo poderá reduzir uma das maiores desvantagens políticas identificadas desde a campanha presidencial de 2022.
Por enquanto, os números mostram que a rejeição entre os evangélicos permanece elevada, mas também indicam que a distância que separa Lula desse eleitorado diminuiu de forma significativa nos últimos meses.





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