Vendas do varejo recuam 0,1% em maio, mas supermercados e moda puxam alta em segmentos

Levantamento da Stone aponta queda no comércio digital e leve avanço no varejo físico; 18 estados tiveram crescimento na comparação anual

O Índice do Varejo Stone (IVS), que monitora mensalmente o desempenho do comércio no Brasil, registrou uma leve retração de 0,1% nas vendas do varejo em maio na comparação com abril. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 0,5%. Apesar do recuo geral, cinco dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento no período, sinalizando uma recuperação setorial desigual. As informações são da coluna de Míriam Leitão, no jornal O GLOBO.

O destaque ficou com o setor de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, que liderou o avanço com alta de 1,5%. Também cresceram os setores de Móveis e Eletrodomésticos (0,7%), Artigos Farmacêuticos (0,6%), Tecidos, Vestuário e Calçados (0,6%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,5%).

Em contrapartida, três segmentos fecharam o mês com retração: Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (–2%), Combustíveis e Lubrificantes (–1,5%) e Material de Construção (–0,7%).

No recorte anual, o setor de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria apresentou o maior crescimento, com avanço de 3,7%. Também se destacaram Tecidos, Vestuário e Calçados (3,2%), Material de Construção (2%), Artigos Farmacêuticos (1,3%), Combustíveis e Lubrificantes (1,1%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,6%). Por outro lado, Móveis e Eletrodomésticos caíram 1,8%, e Hipermercados e Supermercados tiveram leve recuo de 0,1%.

O comércio digital manteve tendência negativa, com retração de 3,1% em maio frente ao mês anterior. Já o varejo físico cresceu 0,5%. Na comparação com maio de 2024, o desempenho do comércio eletrônico caiu 0,8%, enquanto as vendas em lojas físicas avançaram 0,4%.

Segundo Matheus Calvelli, cientista de dados da Stone, apesar de alguns sinais positivos vindos do mercado de trabalho, como a queda na taxa de desemprego e a geração de empregos formais acima do esperado, o cenário ainda é de cautela. “O mercado de trabalho voltou a dar sinais positivos, com queda na taxa de desemprego e geração de empregos formais acima do esperado. Apesar disso, o comprometimento de renda das famílias segue elevado e a inflação, embora abaixo das expectativas no último mês, ainda permanece em um patamar alto. Esses fatores mostram que, embora existam indícios de melhora, ainda é cedo para afirmar uma mudança estrutural no ritmo da economia”, avaliou.

Desempenho regional

Na comparação com maio de 2024, 18 estados apresentaram crescimento nas vendas do varejo. Os maiores avanços foram observados no Amapá (6,9%), Acre (6,3%), Sergipe (5,8%), Piauí e Tocantins (5,1%), Mato Grosso (5%), Pernambuco (4,5%), Paraíba e Roraima (4,4%), Goiás (3,6%) e Ceará (3,3%). Outros destaques positivos incluem Espírito Santo (2,8%), Bahia (2,2%), Pará (2,1%), Rondônia (1,9%), São Paulo e Minas Gerais (1,1%) e Paraná (1%).

Por outro lado, nove unidades da federação registraram retração nas vendas. O pior desempenho foi do Mato Grosso do Sul (–3,8%), seguido por Rio Grande do Sul (–3,2%), Distrito Federal (–2,7%), Rio de Janeiro (–1,7%) e Santa Catarina (–1,4%). Também recuaram Rio Grande do Norte (–1,3%), Maranhão (–0,8%), Alagoas (–0,2%) e Amazonas (–0,1%).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará, em 12 de junho, os dados oficiais do setor relativos a abril. O levantamento da Stone antecipa parte das tendências e reforça a leitura de que o consumo das famílias segue condicionado à pressão sobre a renda e à cautela diante do cenário macroeconômico.

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