Toffoli confirma ter recebido dinheiro de empresa que vendeu resort a fundo de Vorcaro

Ministro afirma que era sócio de companhia e diz que transferências foram lícitas; PF apura operação

O ministro do STF Dias Toffoli disse a interlocutores que recebeu dinheiro da Maridt, empresa que vendeu participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo ele, os valores foram pagos porque era sócio da companhia junto com familiares.
A explicação, dada pela primeira vez, veio depois que a Polícia Federal passou a apurar a transferência de recursos ao magistrado. As informações foram inicialmente da repórter Monica Bergamo, na Folha de São Paulo.

Como funciona a empresa e por que o nome não aparece

De acordo com Toffoli, a Maridt é uma empresa de perfil familiar da qual ele é sócio há vários anos.
O nome do ministro não consta nos documentos públicos porque a companhia é uma Sociedade Anônima de livro, modelo em que a relação de acionistas não é acessível a terceiros, ao contrário do que ocorre em companhias abertas.
Por essa razão, apenas dois irmãos de Toffoli aparecem publicamente, na condição de administradores.

Venda do resort e investigação

O ministro afirmou ainda que todas as transferências realizadas ao longo de diversos anos foram lícitas, declaradas à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.
A Maridt detinha 33% do resort Tayayá, participação vendida em 2021 ao fundo Arleen, que integra uma estrutura ligada ao banco Master.
Toffoli disse que o próprio fundo já teria revendido as ações a terceiros com lucro, sustentando que o negócio ocorreu dentro da legalidade.

Em conversas, o ministro também destacou que, à época da transação, Vorcaro era visto como um banqueiro em ascensão e não figurava em páginas policiais.
Ele acrescentou que todos os pedidos da Polícia Federal relacionados a investigações sobre o banqueiro foram por ele deferidos, incluindo autorizações para novas buscas e apreensões.
A apuração agora se concentra na transferência de recursos ao magistrado, enquanto Toffoli sustenta que a operação decorreu de sua participação societária e que os valores foram devidamente declarados.

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