O Mercado Livre anunciou, nesta terça-feira (7), a suspensão temporária da venda de bebidas alcoólicas destiladas em sua plataforma. A decisão é uma resposta ao aumento de casos de intoxicação por metanol em diversas regiões do Brasil e tem como objetivo reforçar a segurança dos consumidores.
A medida atinge todos os anúncios de produtos como uísque, gim, vodca, cachaça, rum, licor e aperitivo, que foram retirados do ar enquanto a empresa realiza uma “avaliação específica” sobre os riscos e as medidas de controle.
Ação preventiva diante do surto de intoxicações
Segundo a empresa, não há registros de casos de contaminação diretamente ligados à plataforma, mas a decisão foi tomada de forma preventiva, após a confirmação de mortes e internações associadas à ingestão de bebidas adulteradas.
“O Mercado Livre acompanha com atenção os casos de intoxicação por metanol e lamenta a gravidade da situação. Estamos solidários às pessoas afetadas e reforçando a proteção dos clientes dentro da categoria de destilados”, afirmou em nota o vice-presidente sênior da companhia no Brasil, Fernando Yunes.
Além das bebidas, o marketplace também está removendo produtos relacionados ao consumo dessas substâncias, como lacres e equipamentos que possam facilitar adulterações. A medida segue orientações da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça que coordena as ações de monitoramento sobre o tema.
São Paulo concentra a maioria dos casos
De acordo com dados do governo paulista divulgados nesta semana, o estado já soma 15 casos confirmados de intoxicação por metanol, com duas mortes — homens de 54 e 46 anos, ambos residentes na capital. Outras seis mortes ainda estão sob investigação, e há 164 suspeitas em análise.
Os casos confirmados e suspeitos se espalham por outras regiões do país: o Paraná contabiliza dois casos e investiga quatro; Pernambuco, dez; Mato Grosso do Sul, cinco; Ceará, Goiás e Piauí, três cada; e estados como Acre, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rondônia e Rio de Janeiro registram um caso cada..
Risco crescente e fiscalização
O metanol é um composto altamente tóxico, utilizado em processos industriais, que pode causar cegueira, falência múltipla dos órgãos e morte quando ingerido. As autoridades reforçam que a substância não deve estar presente em bebidas de consumo humano, sendo frequentemente associada à produção clandestina.
O Ministério da Justiça e os governos estaduais intensificaram as fiscalizações em fábricas, bares e distribuidoras após o aumento de casos suspeitos. Enquanto isso, o setor de comércio eletrônico, liderado por plataformas como o Mercado Livre, tem adotado medidas de contenção para evitar que bebidas adulteradas circulem no ambiente digital.
A suspensão, segundo a empresa, permanecerá em vigor até a conclusão da avaliação de segurança e a implementação de novos protocolos de controle de vendas.






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