Ministro da Justiça cria comitê para combater crise de intoxicação por metanol

Lewandowski diz que iniciativa busca acelerar soluções e integrar forças públicas e privadas no enfrentamento à adulteração de bebidas

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou nesta terça-feira (7) a criação de um comitê de enfrentamento da crise do metanol, durante uma reunião com representantes das indústrias de bebidas alcoólicas e de associações que atuam no combate à falsificação. O encontro ocorreu em meio ao aumento de casos de intoxicação provocados pelo consumo de bebidas adulteradas em diversas regiões do país.

Quinze mortes já confirmadas no país

“Chegamos à conclusão de que é importante montar um comitê de enfrentamento da crise do metanol, informal, onde possa haver troca de informações, de boas práticas e anúncios das providências para avançarmos mais rapidamente na solução do problema”, afirmou o ministro.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou até 5 de outubro de 2025 um total de 225 notificações de intoxicação por metanol, sendo 16 casos confirmados e 209 ainda em investigação. Quinze mortes foram contabilizadas, duas confirmadas e treze em apuração. Cerca de 85% das ocorrências se concentram no estado de São Paulo.

Casos se multiplicam em São Paulo

O governo paulista confirmou 14 casos e duas mortes por ingestão de bebidas contaminadas, além de sete óbitos sob investigação. A Polícia Civil intensificou as operações em adegas e distribuidoras tanto na capital quanto no interior, resultando em prisões e na apreensão de milhares de garrafas de bebidas adulteradas.

As ações têm apoio da Vigilância Sanitária e do Instituto de Criminalística, que realiza a análise de amostras recolhidas em diferentes municípios para identificar a presença de metanol — substância altamente tóxica e de uso industrial, proibida em bebidas.

PF entra em campo

Em nível nacional, o Ministério da Justiça acompanha as investigações e colocou à disposição dos estados e do Distrito Federal a estrutura pericial da Polícia Federal. O objetivo, segundo Lewandowski, é identificar o chamado “DNA do metanol”, rastreando a origem e o padrão das adulterações detectadas nas amostras coletadas em todo o país.

A criação do comitê, explicou o ministro, busca integrar esforços entre autoridades sanitárias, forças de segurança e o setor produtivo para conter o avanço das contaminações e aprimorar os mecanismos de fiscalização e rastreabilidade.

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