O governo do presidente Donald Trump voltou a se manifestar contra decisões da Justiça brasileira envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Em declaração divulgada pela agência Reuters, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou a condenação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como mais um episódio de perseguição política promovida pelo sistema judicial brasileiro.
Segundo um porta-voz da pasta, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) representa “o mais recente episódio de um padrão de perseguição e de uso político do sistema judicial (‘lawfare’) pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos”. O representante do governo americano acrescentou que “debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações”.
Condenação de Eduardo Bolsonaro
A manifestação ocorreu após a Primeira Turma do STF condenar, por unanimidade, Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. A Corte entendeu que o ex-deputado atuou nos Estados Unidos com o objetivo de pressionar e intimidar integrantes do Judiciário brasileiro, além de tentar influenciar investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
Com a decisão, Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicial semiaberto. Além disso, terá de pagar multa de R$ 150 mil, perderá o cargo de escrivão da Polícia Federal — do qual já estava afastado — e ficará inelegível por oito anos em razão da Lei da Ficha Limpa.
A nota do Departamento de Estado representa a segunda manifestação pública do governo Trump em defesa do ex-parlamentar. No dia anterior, o próprio presidente americano comentou o caso durante encontro do G7.
Trump confunde integrantes da família Bolsonaro
“Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele”, declarou o presidente dos Estados Unidos.
A referência ao Texas foi interpretada como uma menção à participação de Eduardo Bolsonaro no CPAC, principal encontro conservador dos Estados Unidos, realizado naquele estado em março deste ano.
Lula reage e cita soberania nacional
Durante agenda em Genebra, na Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às declarações de Trump. Segundo o petista, o republicano demonstra desconhecimento sobre a realidade brasileira ao analisar o país a partir de sua proximidade com a família Bolsonaro.
“Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, afirmou Lula. “Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. Afinal de contas, gosto não se discute.”
As declarações ocorrem em meio a negociações delicadas entre Brasil e Estados Unidos sobre possíveis tarifas comerciais. Integrantes do governo brasileiro relatam dificuldades para avançar nas conversas, especialmente diante das exigências americanas relacionadas ao Pix, à regulação das big techs e a investigações comerciais que podem resultar em novas taxas sobre produtos brasileiros.






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