Uma campanha promocional criada pela 99 durante a Copa do Mundo colocou a empresa no centro de uma disputa com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade enviou uma notificação extrajudicial à companhia nesta sexta-feira (19), acusando a plataforma de marketing de emboscada, concorrência desleal e uso indevido de elementos associados à seleção brasileira e ao atacante Endrick.
A ação promocional aproveitava a expectativa dos torcedores pela entrada de Endrick nos jogos da seleção. Com o slogan “O Brasil está pedindo, a 99 vai entregar”, a campanha oferecia R$ 99 em cupons para consumidores que utilizassem serviços da empresa e fossem atendidos por entregadores ou motoristas chamados Endrick, Hendrick, Endrique ou Hendrique.
Campanha gerou reação da CBF
Segundo a CBF, a promoção explorava comercialmente a imagem e a notoriedade de um atleta convocado para a seleção brasileira sem autorização da entidade.
A confederação sustenta que a utilização de referências ao jogador e de elementos visuais ligados ao universo da seleção criou uma associação indevida entre a empresa e a equipe nacional durante a Copa do Mundo.
De acordo com a notificação, a campanha poderia induzir consumidores a acreditar que existia algum tipo de vínculo institucional, apoio ou patrocínio oficial entre a 99 e a seleção brasileira.
Alegação de marketing de emboscada
A CBF enquadrou a iniciativa como prática de marketing de emboscada, conceito utilizado para caracterizar ações publicitárias que tentam se associar a grandes eventos esportivos sem autorização dos organizadores ou patrocinadores oficiais.
A entidade argumenta que a Lei Geral do Esporte protege eventos, seleções, atletas e patrocinadores contra ações comerciais que busquem obter vantagens econômicas por meio de associações não autorizadas.
Além disso, a confederação afirma que a campanha poderia gerar prejuízos aos patrocinadores oficiais da seleção brasileira.
Empresa retirou a ação
Após receber a notificação, a 99 retirou das redes sociais e de seus canais oficiais as peças ligadas à campanha.
Na noite desta sexta-feira, o conteúdo já não aparecia mais nos perfis da empresa. Até o momento, a companhia não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações.
Endrick não é alvo da disputa
Nos bastidores, dirigentes da CBF afirmam que o atacante não tem participação direta no episódio. O foco da contestação está na utilização comercial de sua imagem e de sua popularidade durante a competição.
Segundo relatos, integrantes da entidade entendem que campanhas envolvendo jogadores da seleção costumam ser planejadas antes do início dos torneios, especialmente quando há contratos de publicidade previamente autorizados.






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