O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o restabelecimento do sigilo da investigação que apura a relação entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão foi assinada na quarta-feira (24) e tem como objetivo, segundo o magistrado, preservar o andamento das investigações.
O despacho torna novamente sigilosos dois inquéritos relacionados ao Caso Master, incluindo os processos que resultaram na prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e de Felipe Vorcaro, primo dele.
Sigilo havia sido retirado
Na semana passada, André Mendonça havia retirado o sigilo dos processos após o presidente da Segunda Turma do STF, ministro Gilmar Mendes, incluir de forma extraordinária na pauta o julgamento das prisões dos familiares de Daniel Vorcaro.
Com a publicidade dos autos, vieram à tona documentos da Polícia Federal que apontam a proximidade entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Entre os materiais divulgados estavam fotografias dos dois em viagens internacionais, registros de refeições em resorts na França, mensagens sobre troca de favores e envio de minutas de projetos de lei.
Outros políticos são citados
Os documentos também fazem referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo a investigação, Daniel Vorcaro teria custeado a hospedagem do parlamentar em um hotel cinco estrelas em Lisboa, durante um evento realizado na capital portuguesa.
Hugo Motta confirmou a estadia, mas negou qualquer irregularidade.
“Não vejo problema”, afirmou o presidente da Câmara.
Divergência entre ministros
A divulgação dos documentos evidenciou divergências entre André Mendonça e Gilmar Mendes sobre a condução das investigações do Caso Master.
No julgamento realizado pela Segunda Turma, Gilmar Mendes foi o único ministro a votar pela substituição da prisão preventiva de Henrique Vorcaro por prisão domiciliar e pela revogação da prisão de Felipe Vorcaro. Os demais integrantes do colegiado acompanharam o voto do relator e mantiveram as prisões.
Durante a sessão, Gilmar Mendes comparou a condução das investigações à Operação Lava Jato e alertou para o risco de futuras nulidades processuais.
André Mendonça, por sua vez, sustentou que as prisões preventivas foram decretadas porque havia indícios de que Henrique e Felipe Vorcaro continuavam praticando crimes, entre eles a ocultação de patrimônio, mesmo após o início das investigações relacionadas ao Banco Master.






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