Polícia Civil abre inquérito para investigar falas do maestro do coral Meninas de Petrópolis

Inquérito foi instaurado pela 105ª DP a pedido do Ministério Público após declarações do maestro repercutirem durante a apuração de denúncias de assédio

A 105ª Delegacia de Polícia de Petrópolis instaurou um inquérito para apurar as declarações feitas pelo maestro Marco Aurélio Xavier após a divulgação de denúncias de assédio publicadas pela revista Piauí. A investigação foi aberta a pedido da Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Petrópolis e, segundo a Polícia Civil, diligências já estão em andamento.

As declarações do maestro foram feitas ao comentar a reportagem da revista. Na ocasião, ele afirmou que, se tivesse sido entrevistado, os jornalistas saberiam que ele seria “imensamente pior do que escreveram” e declarou que seus “grandes mestres” foram nazistas. As falas provocaram ampla repercussão e motivaram pedidos de investigação por parte de entidades e representantes políticos.

Repercussão

Após a divulgação das declarações, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) informaram que levariam o caso às autoridades competentes. A vereadora Júlia Casamasso (PSOL) e o deputado estadual Yuri Moura (PSOL) também solicitaram ao Ministério Público a apuração do episódio.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Petrópolis também se manifestou. Em nota, a entidade informou acompanhar tanto as denúncias de assédio quanto as declarações do maestro, especialmente pela referência ao nazismo feita durante sua manifestação pública.

Segundo a Comissão de Direitos Humanos da subseção, serão acompanhadas as investigações e avaliadas eventuais medidas jurídicas cabíveis.

“Independentemente da apuração dos fatos e das responsabilidades que eventualmente venham a ser estabelecidas pelas autoridades competentes, a banalização de uma ideologia responsável por algumas das mais graves atrocidades da história da humanidade é incompatível com os valores do Estado Democrático de Direito, da dignidade da pessoa humana e do respeito aos direitos fundamentais”, afirma a nota da OAB.

Maestro nega acusações

A jornalista Cristina Fibe, autora da reportagem publicada pela revista Piauí, afirmou que Marco Aurélio Xavier foi procurado antes da publicação da matéria, mas não concedeu entrevista.

Nesta quinta-feira (25), ao ser novamente procurado pela Tribuna de Petrópolis para comentar a repercussão do caso, o maestro negou as acusações.

“Inventaram uma calúnia para mim. Todos os envolvidos vão ter que provar o que disseram. Todos vão responder judicialmente sobre isso”, afirmou. Em seguida, informou que estava no trânsito e encerrou a ligação.

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