O vereador do Rio Marcos Dias (Podemos), pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026, defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou o atual modelo de indicação para a Corte e afirmou que o prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao Governo do Estado, jamais se manifestou contra sua candidatura ao Senado. Segundo o parlamentar, Paes classificou sua pré-candidatura como “legítima” e chegou a dizer que não aceitaria qualquer veto ao seu nome.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Jogo do Poder, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno, que será exibido neste domingo (28), às 23h20, pela Rede CNT. Ao longo da conversa, Marcos Dias também falou sobre sua trajetória política, a relação com a família Bolsonaro, sua visão sobre a participação da religião na política, a denúncia que levou ao afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF e os alertas que fez sobre os investimentos do Rioprevidência no Banco Master.
Confira os principais trechos da entrevista.
Ricardo Bruno: O senhor é vereador de primeiro mandato e hoje é pré-candidato ao Senado. Como começou sua trajetória política?
Marcos Dias: Minha história na política começou muito antes do mandato. Eu fui apresentado à política aos 12 anos de idade. No dia do meu aniversário, meu irmão me levou até a casa de Leonel Brizola. Aquilo marcou minha vida. Depois participei de visitas da escola à Câmara Municipal e fui despertando esse interesse. Também tive uma formação muito forte dentro da igreja. Aprendi com minha mãe a cuidar das pessoas e com meu pai a liderança.
Ricardo Bruno: A fé sempre esteve presente nessa caminhada?
Marcos Dias: Sempre. Sou pastor da Assembleia de Deus. Venho de uma família inteira de pastores. Mas antes do título de pastor, minha fé está em Cristo. Isso nunca mudou.
Ricardo Bruno: Muitos líderes religiosos levam a política para o altar. O senhor concorda com essa prática?
Marcos Dias: Eu entendo que o altar é sagrado. O culto é para adorar a Deus e ouvir a Palavra. Política pode ser debatida em reuniões administrativas da igreja, mas não durante o culto. Essa é a minha visão. Respeito quem pensa diferente, mas acredito que o espaço da fé deve ser preservado.
Ricardo Bruno: O senhor acredita que o eleitorado evangélico pode impulsionar sua candidatura ao Senado?
Marcos Dias: Existe uma representação importante desse segmento na sociedade. É legítimo que esse grupo tenha representantes. Mas eu dialogo com todos. Converso com católicos, espíritas e pessoas de outras religiões. Para legislar, é preciso ouvir todos os lados.
Ricardo Bruno: Como o senhor se define politicamente?
“Sou de direita. Sempre fui eleitor de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro. Nunca escondi isso. Tenho posições muito claras e não abro mão dos valores que defendo.”
Marcos Dias
Ricardo Bruno: Mesmo sendo bolsonarista, o senhor integra um grupo político liderado por Eduardo Paes. Como funciona essa relação?
Marcos Dias: Quando falamos da gestão do Estado, precisamos reconhecer quem tem capacidade administrativa. Trabalhei com Eduardo Paes e sei da forma como ele conduz uma equipe. É alguém que cobra resultados e acompanha tudo de perto.
Ricardo Bruno: Existe espaço para sua candidatura ao Senado dentro do grupo de Eduardo Paes, que também reúne Benedita da Silva e Pedro Paulo?
“Sim. Minha candidatura é legítima. O próprio Eduardo foi muito claro comigo. Disse: ‘Marcos, segue firme, a sua candidatura é legítima, é importante para o processo’. Além disso, deixou claro que não aceitava veto à minha candidatura”.
Marcos Dias
Ricardo Bruno: Então sua candidatura está mantida?
Marcos Dias: Está. É irreversível. Meu compromisso é com o Estado do Rio de Janeiro e com o Brasil.
Ricardo Bruno: O senhor tem feito críticas ao Supremo Tribunal Federal. O que precisa mudar?
Marcos Dias: O STF é o guardião da Constituição. Mas é preciso haver equilíbrio entre os Poderes. Defendo mandato para ministros. Hoje eles entram muito jovens e permanecem até os 75 anos. Com mandato, você oxigena a Corte.
Ricardo Bruno: O senhor também critica a forma de escolha dos ministros.
Marcos Dias: Acho que devemos priorizar juízes de carreira, pessoas que passaram por toda uma trajetória na magistratura. O critério precisa ser técnico. Não pode ser uma escolha entre amigos.
Ricardo Bruno: O senhor defende o impeachment de ministros do STF?
“Quem descumprir a Constituição precisa responder dentro da lei. Não acredito em ofensas ou ataques pessoais. É preciso agir com responsabilidade e dentro da Constituição.”
Marcos Dias
Ricardo Bruno: Como é sua relação com Carlos Bolsonaro?
Marcos Dias: Muito boa. Convivi com ele durante muitos anos na Câmara Municipal. Sempre tivemos uma relação de respeito. Quando fomos vereadores juntos, essa amizade se fortaleceu.
Ricardo Bruno: Carlos Bolsonaro chegou a apoiar publicamente sua candidatura ao Senado?
Marcos Dias: Sim. Isso está registrado nos anais da Câmara. Ele disse que eu tinha preparo para representar o Rio no Senado. Foi um gesto importante.
Ricardo Bruno: O senhor ganhou projeção nacional por causa da denúncia contra a CBF. Como esse caso começou?
“A Comissão de Direitos Humanos recebeu denúncias de assédio moral dentro da CBF. Tratamos o caso como fazemos com qualquer denúncia séria. Ao aprofundar a investigação surgiram indícios de falsificação de documentos.”
Marcos Dias
Ricardo Bruno: Como a investigação evoluiu?
Marcos Dias: Nossa equipe técnica trabalhou no caso e contratamos uma perícia. O laudo apontou indícios de falsificação de assinatura. Com esse material encaminhamos uma representação ao Supremo, que posteriormente foi utilizada no processo que resultou no afastamento de Ednaldo Rodrigues.
Ricardo Bruno: O senhor sofreu pressão durante esse processo?
Marcos Dias: Sim. Recebi ligações de um grande escritório de advocacia. Minha resposta foi muito clara. Disse que registraria aquela ligação em ata. Também deixei claro que não faria acordo. Falei que até ali eu tinha pedido o afastamento, mas que, se fosse necessário, passaria a pedir a prisão.
Ricardo Bruno: O senhor também fez um alerta antecipado sobre o Banco Master. Como percebeu o problema?
Marcos Dias: Tenho o hábito de acompanhar diariamente os balanços públicos, os diários oficiais e o mercado financeiro. Quando analisei os números percebi que havia um risco muito grande.
Ricardo Bruno: Qual era sua preocupação?
Marcos Dias: O dinheiro envolvido era dos aposentados e pensionistas do Estado. Fiz um pronunciamento alertando que, se aquele banco quebrasse, milhares de pessoas seriam afetadas.
Ricardo Bruno: O que aconteceu depois?
Marcos Dias: Pouco tempo depois a crise veio à tona. Minha preocupação sempre foi proteger os recursos públicos e evitar prejuízos aos aposentados.
Ricardo Bruno: Caso seja eleito senador, quais serão suas prioridades?
“Quero defender o equilíbrio entre os Poderes, fortalecer a segurança pública, proteger os aposentados, valorizar quem trabalha e representar os valores que acredito, sempre dialogando com toda a sociedade.”
Marcos Dias






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