O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou nesta sexta-feira (8) a transferência do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. A medida é vista como mais um avanço nas tratativas para um possível acordo de delação premiada no âmbito das investigações sobre o caso Master.
Costa estava detido na Penitenciária da Papuda, no mesmo complexo. A mudança já era esperada por investigadores e pela defesa, que argumentou que o novo local oferece melhores condições para discutir e organizar informações relevantes ao acordo de colaboração.
Defesa aponta dificuldades na Papuda
O pedido de transferência foi feito pelos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino. Segundo eles, a estrutura da Papuda dificultava o manuseio de provas e a comunicação necessária para avançar nas negociações. Outro ponto levantado foi o fato de a unidade ser administrada pelo governo do Distrito Federal, o que geraria receios sobre a segurança das conversas.
Há ainda a preocupação de que figuras políticas locais possam ser citadas em eventual delação, o que aumentaria a necessidade de um ambiente mais controlado e seguro para o investigado.
Estrutura da Papudinha oferece mais conforto
Diferentemente da Papuda, a “Papudinha” é administrada pela Polícia Militar e destinada a autoridades, policiais e militares. A unidade oferece melhores condições de custódia, incluindo chuveiro quente, cozinha equipada, geladeira, armários, cama de casal e televisão.
Os detentos também têm direito a cinco refeições diárias e podem tomar banho de sol com mais flexibilidade. Já na Papuda, as condições são mais restritas e voltadas ao sistema prisional comum, com menos conforto e menor autonomia para os presos.
Investigação e acusações
Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente em abril por decisão de Mendonça, sob suspeita de participação em um esquema envolvendo a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido cerca de R$ 146 milhões em propina, incluindo imóveis de alto padrão.
O ministro apontou risco à coleta de provas e possibilidade de ocultação de patrimônio. No mesmo processo, foi mantida a prisão do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro do esquema.
Alternativas descartadas
A defesa chegou a cogitar a transferência para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas a opção foi descartada por falta de vagas e pela presença de outros investigados no local, o que poderia comprometer o andamento das investigações.
A transferência para a “Papudinha” segue precedentes recentes, como o do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também foi custodiado na unidade em razão de condições específicas de saúde.






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