A defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o executivo pretende colaborar com as investigações em curso, possivelmente por meio de um acordo de delação premiada. As informações são do g1.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso na Corte. No documento, os advogados também solicitam a transferência de Costa do Complexo Penitenciário da Papuda para uma unidade que permita reuniões reservadas com a defesa, sob alegação de que o atual ambiente inviabiliza o sigilo necessário para tratar de uma eventual colaboração.
Pedido de transferência e delação
Na petição, a defesa sustenta que o investigado já manifestou intenção de cooperar com as autoridades e que isso pode ocorrer “possivelmente por meio de colaboração premiada”. Os advogados destacam que a formalização de um acordo depende de três condições: a voluntariedade do investigado, a análise técnica sobre a relevância das informações e uma decisão consciente sobre os termos e riscos envolvidos.
Segundo o documento, a estrutura da unidade prisional impede discussões detalhadas sobre os fatos investigados e o manuseio adequado de provas. Por isso, os advogados argumentam que a transferência é necessária para assegurar o pleno exercício do direito à autodefesa, com garantia de confidencialidade entre cliente e defesa.
Quem é Paulo Henrique Costa
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB a partir de 2019, após ser indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele foi afastado do cargo em novembro por decisão judicial, no contexto das investigações.
Com formação em administração de empresas e especializações na área financeira, o executivo acumula mais de duas décadas de experiência no setor. Antes de assumir o banco público, atuava como vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal.
Investigação envolve operações com Banco Master
Costa é investigado por supostas irregularidades em operações envolvendo o Banco Master, instituição privada ligada ao empresário Daniel Vorcaro. De acordo com a Polícia Federal, há suspeitas de descumprimento de práticas de governança e de realização de negócios sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor.
A apuração integra uma fase de operação que investiga um possível esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, e os crimes apurados incluem corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Negócio barrado pelo Banco Central
O BRB aparece no caso por ter sido o principal interessado na compra do Banco Master. A proposta previa a aquisição de participação relevante na instituição privada e foi apresentada como uma tentativa de evitar sua quebra.
No entanto, o Banco Central vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público. Além disso, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, investigando possíveis falhas nos processos internos de análise e governança.
Em nota, o governo do Distrito Federal afirmou que os fatos envolvendo o ex-presidente do BRB são de competência do Judiciário e reiterou compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com as investigações.






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