Marqueteiro de Douglas Ruas atribui arrancada no Rio à novidade e a voto de protesto na reta final

Paulo Vasconcelos diz que candidato cresceu dez pontos nos momentos finais da campanha e avalia que episódio envolvendo o TSE e o debate da Globo ajudou a mobilizar eleitorado de direita

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O desempenho de Douglas Ruas (PL) na eleição para o Governo do Rio surpreendeu até mesmo diante dos números apresentados pelas pesquisas na reta final. Paulo Vasconcelos, marqueteiro responsável pela campanha do presidente da Alerj, atribui a arrancada a uma combinação de fatores: a imagem de novidade construída em torno do candidato, o crescimento do bolsonarismo nos últimos dias e um voto de protesto que, em sua avaliação, ganhou força após a controvérsia envolvendo o TSE e o debate presidencial da TV Globo.

Ruas terminou a apuração com 49,27% dos votos válidos computados, contra 42,76% de Eduardo Paes (PSD). Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura estava indeferida, recebeu 3,17% dos votos nominais, registrados como anulados sub judice. A situação jurídica desses votos ainda será definida pelo TSE e poderá alterar o cálculo final dos votos válidos.

O resultado contrastou com a fotografia apresentada pelas pesquisas às vésperas da votação. No Datafolha divulgado na reta final, Paes aparecia com 43%, enquanto Ruas tinha 35%.

“Douglas ganhou 10 pontos na reta final”

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Vasconcelos afirmou que houve uma movimentação do eleitorado nos últimos momentos da campanha difícil de ser captada pelas pesquisas.

Segundo ele, Ruas “ganhou 10 pontos na reta final”. Na interpretação do marqueteiro, parte desse movimento estaria associada a um voto de protesto provocado pelo episódio do debate presidencial da Globo e pela decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, que alterou as regras previstas para o encontro.

Vasconcelos sustenta que o episódio extrapolou a disputa presidencial e produziu efeitos também nas eleições estaduais. No Rio, segundo sua análise, a repercussão teria sido ampliada pelo desempenho de Flávio Bolsonaro e pela proximidade política entre o senador e Douglas Ruas.

“Essa onda de reta final é difícil dizer de onde veio”, afirmou o publicitário, ao analisar especificamente o resultado fluminense. Para ele, houve uma combinação entre voto de protesto, acontecimentos dos últimos dias e a ausência de debates.

A aposta na “novidade”

Mas Vasconcelos aponta outro elemento como fundamental para explicar o crescimento de Ruas: a estratégia de apresentá-lo como uma novidade diante de nomes há décadas presentes na política fluminense.

Na avaliação do marqueteiro, as tentativas de vincular Ruas aos governos de Cláudio Castro e Wilson Witzel perderam força porque as alianças políticas no estado eram mais complexas e atingiam os dois principais campos da disputa.

A campanha, então, concentrou sua comunicação na renovação. Segundo Vasconcelos, a estratégia foi apresentar Ruas com “um olhar mais popular, mais moderno” diante de uma política estadual dominada pelas mesmas figuras há mais de 20 anos.

O marqueteiro também considera exagerada a avaliação de que a proximidade com Cláudio Castro funcionaria necessariamente como uma “bigorna” eleitoral. Para ele, o fato de Ruas ainda ser relativamente desconhecido de parcela expressiva do eleitorado permitiu à campanha construir uma identidade própria para o candidato.

Bolsonarismo entrou com força na reta final

Vasconcelos afirma ainda que o apoio mais explícito da família Bolsonaro ganhou peso quando Ruas já havia alcançado um patamar competitivo. Na leitura do estrategista, a associação ajudou a aquecer uma candidatura que já vinha sendo apresentada como alternativa de renovação.

O publicitário também tira da eleição uma conclusão sobre a comunicação política: para ele, o alcance orgânico das redes sociais foi superestimado durante a campanha. O instrumento decisivo teria sido o tráfego pago, pela capacidade de levar mensagens específicas a segmentos determinados do eleitorado.

Enquanto a Justiça Eleitoral decide o destino dos votos de Garotinho, a campanha de Ruas analisa um resultado que contrariou as pesquisas de véspera e colocou o candidato do PL à frente de Paes. Para seu principal estrategista, a explicação passa pela convergência, nos últimos dias, entre renovação, mobilização do eleitorado de direita e um voto de protesto que ganhou força na reta final.

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