Das piscinas para o plenário da Assembleia Legislativa do Rio, Índia Armelau (PL) construiu em pouco mais de quatro anos uma rápida ascensão eleitoral. Ex-nadadora profissional, formada em Educação Física e empresária, a parlamentar de perfil conservador e alinhada ao bolsonarismo foi reeleita com 248.504 votos e terminou as eleições de 2026 como a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro.
O resultado representa um salto em relação à estreia nas urnas. Eleita pela primeira vez em 2022 com 57.582 votos, Índia recebeu agora mais de quatro vezes aquela votação. Ela também ajudou o PL a conquistar 21 das 70 cadeiras da Assembleia Legislativa, a maior bancada da próxima legislatura.
Nascida Amanda Brandão Armelau, em Manaus, a parlamentar construiu sua primeira trajetória pública no esporte. Começou a nadar ainda criança e, aos 13 anos, mudou-se para o Rio após ser convidada para competir pelo Vasco da Gama. Segundo sua biografia oficial, integrou seleções brasileiras e disputou competições nacionais e internacionais.
Das piscinas para a política
Antes da política, Índia também trabalhou como hostess de eventos e se tornou empresária. A experiência como atleta é apontada por ela como uma influência sobre características como competitividade e resiliência.
No primeiro mandato, consolidou uma atuação concentrada principalmente em segurança pública, esporte, família, pessoas com deficiência e direitos das mulheres. Nas redes sociais, tornou-se uma voz identificada com o campo conservador e fez dessa presença digital uma das ferramentas de sua atividade política e eleitoral.
A própria deputada rejeita a ideia de usar características pessoais ou de origem como elemento central de sua atuação política. Ao comentar referências ao fato de ser mulher e ter ascendência indígena, afirmou:
“Você não precisa se vitimizar, não precisa ficar batendo na tecla: ‘eu sou preta, favelada, gay’. Se chego ao microfone e fico falando: ‘Sou índia, sou mulher’, para mim isso é vitimização”, costuma dizer a deputada.
Entre as iniciativas associadas à parlamentar está a Lei 10.260/2023, que criou um programa estadual de defesa pessoal para mulheres vítimas ou ameaçadas de violência doméstica.
Na segurança pública, Índia participou ainda de propostas como a inclusão de policiais penais no Segurança Presente e o Programa Prajás, destinado à assistência jurídica gratuita a agentes das forças de segurança.
Banheiros neutros continuarão na pauta
Uma das propostas de maior repercussão de seu primeiro mandato tratou da obrigatoriedade da instalação de banheiros e vestiários neutros em espaços públicos e privados destinados ao uso coletivo, voltados a pessoas trans e não binárias.
Índia sustentou durante a discussão que a criação de um terceiro espaço buscava conciliar o respeito às pessoas trans com a segurança e a privacidade das mulheres nos banheiros femininos.
A proposta, porém, enfrentou críticas durante sua tramitação. Posteriormente, o governador em exercício Ricardo Couto vetou integralmente o texto, sob o argumento de que a iniciativa poderia reforçar mecanismos de segregação e rotulação social de pessoas trans e não binárias.
Apesar do veto, Índia já anunciou que não pretende abandonar o tema no segundo mandato. A obrigatoriedade da instalação de banheiros e vestiários neutros em espaços públicos e privados de uso coletivo continuará sendo, segundo a parlamentar, um dos principais assuntos de sua atuação na Alerj, ao lado da segurança pública.
A deputada também ampliou sua participação em disputas eleitorais ao integrar, em 2024, como candidata a vice, uma chapa do PL encabeçada por Alexandre Ramagem.
Investigação por suspeita de rachadinha
A trajetória política da deputada também inclui uma investigação aberta pelo Ministério Público do Rio em 2025 sobre suspeita de participação em um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete na Alerj. A apuração surgiu a partir de denúncias feitas por um ex-chefe de gabinete.
Segundo as acusações, assessores seriam obrigados a repassar valores referentes ao auxílio-alimentação. A denúncia mencionou ainda um vídeo que mostraria um assessor contando dinheiro na residência da parlamentar.
Índia negou as acusações. Na ocasião, afirmou que os relatos eram falsos e teriam partido de ex-funcionários demitidos por desempenho insuficiente ou quebra de confiança. Também informou que adotaria medidas judiciais. A investigação não impediu sua candidatura à reeleição.







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