O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), anunciou uma ampla reforma administrativa na prefeitura e usou palavras duras para justificar as mudanças. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que pretende retirar da máquina municipal pessoas que, segundo ele, não trabalhavam e ocupavam postos por indicação política. A ofensiva acontece em meio ao rompimento do prefeito com o presidente da Câmara, Aldair de Linda (PT), seu antigo aliado.
“Estamos fazendo uma reforma administrativa, tirando muita gente que estava na máquina sem trabalhar, porque era ligado a vereador, enrolando, boicotando, seja nos postos de saúde, seja em todos os serviços públicos”, afirmou Quaquá.
O prefeito foi além e disse existir um “boicote organizado” dentro da administração municipal. Segundo ele, a reorganização pretende mudar a relação entre vereadores e a estrutura da prefeitura.
“Havia um boicote organizado, porque eu estou trocando a maneira de fazer política. Vereadores que achavam que eram donos, literalmente, das máquinas, que estavam querendo enriquecer às custas da máquina pública”, declarou.
O anúncio ganha peso político por acontecer logo após o rompimento entre Quaquá e Aldair de Linda. A relação entre os dois se deteriorou durante a reta final das eleições, e Aldair anunciou publicamente nesta semana que não integra mais a base do prefeito.
Quaquá agora promete aprofundar as mudanças na prefeitura. “Resolvemos fazer uma reforma administrativa mais ampla para acabar com a vagabundagem em Maricá”, afirmou.
Na legenda que acompanha o vídeo, o prefeito também escreveu que pretende “tirar quem estava encostado, boicotando a saúde e os serviços públicos” e acrescentou: “Chega de cabide de emprego e de quem acha que é dono da máquina”.
A reorganização administrativa ocorre paralelamente a outra batalha política. Nos bastidores, Quaquá já sinaliza que pretende trabalhar para eleger o novo presidente da Câmara ainda este ano. A eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028 está prevista para dezembro. Aldair preside o Legislativo municipal desde 2017.
Embora Quaquá ainda não tenha anunciado publicamente um candidato, o vereador Hadesh (PT), atual líder do governo na Câmara, aparece como o nome mais provável para receber o apoio do prefeito na disputa.
A possibilidade já circulava nos bastidores antes mesmo do rompimento e ganhou força com a crise entre Quaquá e Aldair.
Em publicação recente ao lado de vereadores e lideranças, Quaquá escreveu “Renovação. 2 de dezembro. Vem aí!”, justamente em referência à data associada à eleição da nova Mesa Diretora.
No vídeo sobre a reforma, o prefeito também relacionou o funcionamento da administração aos resultados das eleições e pediu votos para Eduardo Paes (PSD), ao governo estadual, e Lula (PT), à Presidência.
“É hora de Maricá dar a virada, porque senão depois nós vamos ter que reclamar com o bispo”, afirmou.







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