A Justiça Federal do Amazonas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu o peruano Ruben Dario Villar, conhecido como “Colômbia”, apontado como mandante dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.
Três anos após o duplo homicídio no Vale do Javari, uma das regiões mais isoladas e ameaçadas da Amazônia, as investigações ainda apontam para a presença de redes criminosas que operam com tráfico de drogas e pesca ilegal. Segundo a Polícia Federal, “Colômbia” forneceu cartuchos usados nas armas do crime, financiou a execução e atuou diretamente na ocultação dos corpos.
O papel de Colômbia no crime
Villar está preso desde dezembro de 2022. De acordo com as investigações, ele mantinha relação próxima com Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, que confessou participação no crime. A PF identificou que “Colômbia” teria patrocinado o assassinato e articulado a logística para eliminar os vestígios do duplo homicídio.
Além dele, outras oito pessoas foram indiciadas por envolvimento direto na execução e ocultação dos cadáveres. O MPF também tenta garantir que os acusados Amarildo, seu irmão Oseney da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima sejam julgados por júri popular, por duplo homicídio qualificado. No entanto, até o momento, não há data prevista para o julgamento.
Motivação ligada ao narcotráfico
Segundo a PF, Bruno Pereira teria descoberto um esquema de lavagem de dinheiro associado à venda de peixes e animais capturados ilegalmente, usado para financiar o tráfico de drogas transnacional. As drogas seriam produzidas no Peru e na Colômbia e depois distribuídas a facções no Brasil. A suspeita é de que essa descoberta tenha motivado a ordem de execução por parte de Villar, que possui dupla nacionalidade brasileira e peruana.
Há ainda relatos de que o mandante teria ordenado que a cabeça de Bruno fosse colocada “a leilão”, uma tentativa de intimidar ou eliminar ameaças a seus negócios ilegais na região.
Brutalidade e impunidade
Bruno Pereira, servidor licenciado da Funai, era constantemente ameaçado por seu trabalho de proteção aos povos indígenas isolados e de combate a invasores. Dom Phillips acompanhava o indigenista para produzir uma reportagem sobre a situação na região. Os dois desapareceram em 5 de junho de 2022. Dez dias depois, seus restos mortais foram encontrados esquartejados, carbonizados e com marcas de tiros. Bruno foi atingido três vezes; Dom, uma.
Apesar da prisão dos principais suspeitos, familiares das vítimas, lideranças indígenas e organizações de direitos humanos ainda cobram justiça completa e ações mais efetivas do Estado para conter o avanço do crime organizado na Amazônia.






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