Uma mãe denunciou um caso de assédio e importunação sexual envolvendo sua filha, de 15 anos, e um professor de robótica da Escola Municipal Nilo Batista, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O episódio teria ocorrido na última quinta-feira (19), dentro da unidade escolar.
De acordo com a denunciante, o caso começou com uma dinâmica pedagógica. O professor teria prometido 18 sacolés aos alunos do projeto de robótica como prêmio pela conclusão de um robô. A filha da denunciante ficou responsável por reunir a lista dos alunos e combinar a entrega com o educador.
“O contexto é que ele prometeu 18 sacolés aos 18 alunos desse projeto na segunda-feira como prêmio por ter finalizado o projeto que ele colocou no dia da aula, que era construir um robô, e eles fizeram isso, e minha filha ficou responsável de passar para ele a listagem dessas 18 crianças para pegar esse sacolé. Ele disse que daria.”
Na quinta-feira, a adolescente procurou o professor para alinhar a entrega dos sacolés. Foi nesse momento que o assédio teria ocorrido. Segundo a mãe, quando a filha foi conversar com o professor, ele a convidou para sair da escola.
A jovem negou o convite e, segundo a responsável, a filha foi enfática ao negar o convite, respondendo: “Não, professor, a gente não pode sair da escola.”
Diante da recusa, o comportamento do professor teria mudado. Conforme o relato, ele se aproximou da adolescente e começou a alisar o corpo dela. A estudante tentou fazer contato visual com outras pessoas para pedir socorro. Ao perceber a tentativa da jovem, o professor teria agido com mais violência.
“Quando ele percebe que ela está tentando falar com alguém, pedir ajuda, olhando desesperado, pedindo socorro, ele pega ela pelo pescoço e segura ela bem assim e vai carregando ela em direção oposta aos funcionários da escola”, disse à mãe, na denúncia.
O episódio só teria sido interrompido quando o professor se deparou com um grupo de alunos na porta de uma sala. Ainda de acordo com a responsável, a vítima está profundamente abalada. Não quer voltar à escola, não consegue dormir e apresenta sinais de sofrimento emocional.
“Eu estou com uma criança de 15 anos em casa hoje que está enojada de si própria, porque ele passou a mão no corpo dela. Ela não quer voltar para a escola, está se sentindo desconfortável, não consegue dormir, ela fica tendo sonhos estranhos, ela está muito sentida, muito perdida.”
Ainda segundo a responsável, a adolescente também manifestou sentimento de culpa e chegou a associar o ocorrido à maquiagem que usava no dia.
“Me perguntando por que, se sentindo culpada, dizendo para mim: ‘Desculpa, mãe, é porque eu fui para a escola muito maquiada. Eu não preciso mais me olhar no espelho, porque se eu me olhar no espelho, eu exagero na maquiagem, isso vai acontecer comigo de novo.’”
O assédio foi registrado na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Cabo Frio e o Conselho Tutelar foi informado sobre o caso. Segundo a Polícia Civil, diligências estão em andamento para apurar os fatos.
Professor afastado
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que tomou conhecimento do caso por meio da direção da escola e instaurou um processo administrativo para apurar os fatos e ouvir os envolvidos, garantindo o direito à defesa.
O órgão informou ainda que, como medida preventiva, o servidor foi afastado das atividades na unidade até a conclusão das investigações. A pasta também disse que acompanha o caso e está à disposição das autoridades.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes







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