Espancamento em Copacabana: segurança já era considerado agressivo, diz chefe

Aluísio da Silva Filho afirmou à Polícia Civil que já havia recebido reclamações contra Davi Santos Machado e que chegou a adverti-lo após agressão anterior

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O responsável pela equipe de homens que atuava como “seguranças de rua” em Copacabana afirmou à Polícia Civil que já havia recebido reclamações sobre a conduta agressiva de Davi Santos Machado antes da morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos. Davi está preso e é investigado por participação no espancamento que terminou com a morte da vítima.

Aluísio da Silva Filho prestou depoimento nesta quarta-feira (26) na 12ª DP (Copacabana). Segundo ele, em uma ocorrência anterior, chegou a repreender Davi depois que o homem teria agredido uma pessoa em situação de rua.

A informação acrescenta um novo elemento à investigação sobre a atuação do grupo que prestava serviços a comerciantes da região.

Cláudio Rafael foi espancado na madrugada de 12 de agosto após ser acusado injustamente de roubar uma bicicleta. Segundo a investigação, ele recebeu 63 pauladas de Davi e morreu horas depois no hospital em consequência de hemorragia interna e traumatismo craniano.

Chefe admite que fazia contratações

Em depoimento, Aluísio confirmou que coordenava a equipe há anos e que era responsável por contratar os integrantes, organizar escalas e acompanhar o trabalho realizado nas ruas.

Segundo ele, o grupo era formado por quatro pessoas, incluindo o próprio coordenador.

Aluísio também afirmou que tinha poder para advertir, suspender, substituir ou dispensar integrantes da equipe, em acordo com os comerciantes que contratavam o serviço.

Foi ele quem chamou Davi para trabalhar como “apoiador” dos estabelecimentos da região.

Apesar dessa estrutura, Aluísio afirmou que a atividade não deveria ser classificada formalmente como segurança. Segundo seu relato, a função seria apenas de “apoio” aos comerciantes.

Sem antecedentes ou experiência

Outro ponto do depoimento chamou a atenção dos investigadores: não havia exigência de qualificação ou documentação específica para entrar na equipe.

“O critério utilizado para selecionar e contratar os apoiadores não exigia experiência anterior, curso, habilitação profissional, certidão de antecedentes ou qualquer outra documentação”, declarou Aluísio.

As escalas eram definidas por meio de um grupo de WhatsApp, conforme a disponibilidade dos integrantes. Os comerciantes faziam pagamentos semanais pelo serviço, e Aluísio administrava os valores arrecadados.

Ele também recebia uma quantia fixa pela coordenação do trabalho.

Agressões não eram permitidas, afirma coordenador

Aluísio sustentou que os apoiadores não tinham autorização para abordar ou perseguir suspeitos, impedir pessoas de deixar os locais, realizar revistas ou reter objetos.

Segundo ele, diante de situações mais graves, a orientação era chamar a Polícia Militar pelo telefone 190.

O coordenador também disse desconhecer o uso de cassetetes, bastões, porretes ou outros objetos semelhantes pelos integrantes da equipe durante o trabalho.

Sobre o espancamento de Cláudio Rafael, afirmou que não foi comunicado no momento da agressão e que só tomou conhecimento do episódio dias depois.

Além de Davi Santos Machado, também estão presos Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Aílton José da Silva. Os quatro são investigados pela participação nas agressões que resultaram na morte do ciclista.

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