Uma avalanche de gelo e rochas seguida por uma forte inundação deixou ao menos 95 mortos e centenas de desaparecidos nesta quarta-feira (26) na região montanhosa da fronteira entre o Nepal e o Tibete, território controlado pela China. Vilarejos foram atingidos, casas desapareceram sob as águas e estradas e redes de comunicação ficaram interrompidas.
O Conselho de Turismo do Nepal informou que 384 viajantes estão desaparecidos, sendo 341 estrangeiros. O Exército nepalês afirmou que pelo menos 88 pessoas já foram resgatadas. As buscas continuam, mas as condições geográficas e a destruição da infraestrutura dificultam a chegada das equipes a algumas localidades.
A área atingida fica no Himalaia e, embora tenha baixa densidade populacional, funciona como um corredor importante entre cidades e vilarejos. A região também abriga usinas hidrelétricas e um dos principais postos fronteiriços utilizados por viajantes entre Nepal e China.
Autoridades ainda investigam a origem do desastre. Uma das hipóteses é que um terremoto registrado horas antes na região possa ter contribuído para o deslocamento da massa de gelo e rochas que desencadeou a tragédia.
“Pode haver muitas vítimas ou perda de bens”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que pediu aos moradores das margens do rio Trishuli que se deslocassem para terrenos mais altos.
🚨 INUNDAÇÃO | Águas destruíram casas, arrastaram veículos e interromperam estradas e comunicações; equipes enfrentam dificuldades para chegar às comunidades atingidas
— Agenda do Poder (@agendadopoder) August 26, 2026
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Avalanche provoca enchente e destrói vilarejos
O deslocamento de gelo e rochas atingiu uma região cercada por rios e provocou uma rápida elevação do nível das águas. A correnteza avançou sobre comunidades instaladas nas proximidades do rio Trishuli.
Imagens transmitidas após o desastre mostram casas destruídas, veículos sendo carregados pelas águas e uma ponte metálica arrastada pela correnteza.
Testemunhas ouvidas pela Reuters relataram que vilarejos inteiros foram engolidos pelas águas.
A dimensão dos danos ainda está sendo calculada. Com centenas de pessoas desaparecidas, as autoridades trabalham com a possibilidade de que o número de vítimas aumente conforme as equipes consigam chegar às localidades isoladas.
Além das comunidades residenciais, áreas frequentadas por turistas foram atingidas, o que ajuda a explicar o elevado número de estrangeiros entre os desaparecidos.
A orientação das autoridades é para que moradores das proximidades dos rios deixem as áreas mais baixas e procurem terrenos elevados diante do risco de novos deslizamentos ou enchentes.
Rasuwa está entre as regiões mais atingidas
O distrito montanhoso de Rasuwa, no Nepal, foi um dos pontos mais afetados. A região possui aproximadamente 50 mil habitantes e está localizada em uma área estratégica de ligação com a fronteira chinesa.
As operações de resgate enfrentam dificuldades significativas. Helicópteros mobilizados para retirar sobreviventes não conseguiram pousar em algumas das localidades afetadas pelas condições do terreno e pela destruição causada pelo desastre.
“Há devastação por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos. Cinco dos meus parentes estão desaparecidos”, disse Tula Bahadur BK, uma profissional de saúde em Rasuwa, à Reuters.
A destruição de estradas e pontes também limita a movimentação das equipes por terra, enquanto interrupções nos sistemas de comunicação dificultam o contato com moradores de comunidades mais afastadas.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que policiais e militares estão atuando conjuntamente nas operações de busca e salvamento.
Além da localização dos desaparecidos, as equipes trabalham para retirar pessoas de áreas consideradas vulneráveis e restabelecer acessos interrompidos pela avalanche e pela inundação.
Desastre também atinge lado tibetano da fronteira
Os efeitos chegaram ao condado de Gyirong, no Tibete. Um deslizamento atingiu uma passagem terrestre utilizada na circulação entre Nepal e China.
Há vários desaparecidos nessa região. Entre eles estão oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.
Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, o desastre teve origem no lado nepalês e alcançou o porto fronteiriço, provocando danos à infraestrutura.
Estradas foram interrompidas, sistemas de comunicação ficaram fora de funcionamento e houve problemas no fornecimento de energia na região de Shigatse.
O posto atingido tem importância para o deslocamento de pessoas e mercadorias entre os dois países. Os danos podem, portanto, ter consequências que vão além das comunidades diretamente afetadas pelo desastre.
Terremoto é uma das hipóteses investigadas
A causa exata da avalanche ainda não foi determinada. Autoridades investigam se um terremoto registrado algumas horas antes pode ter contribuído para desestabilizar a região montanhosa e desencadear o deslocamento de gelo e rochas.
Outra possibilidade que deverá ser considerada é a influência de lagos glaciais existentes no Himalaia.
No ano passado, uma inundação semelhante registrada na região foi posteriormente atribuída ao esvaziamento repentino de um lago glacial. Esse tipo de fenômeno acontece quando grandes volumes de água acumulados pelo derretimento de geleiras rompem ou ultrapassam barreiras naturais.
Ainda não há confirmação de que o mesmo processo tenha ocorrido nesta quarta-feira.







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