A produtora Karina Gama, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, decidiu colaborar com as investigações da Polícia Federal relacionadas ao financiamento da produção, informa a colunista Bela Megale, do jornal O Globo. A interlocutores, ela afirmou que pretende entregar até esta sexta-feira (28) todos os documentos solicitados pelas autoridades.
A investigação busca esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção e verificar se houve emprego de dinheiro público, inclusive por meio de emendas parlamentares. Karina é proprietária da Go Up Entertainment, empresa responsável pelo longa e que ainda não lançou nenhum filme nos cinemas brasileiros.
Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar informações obtidas anteriormente em uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.
A apuração paulista já havia resultado em buscas realizadas em empresas e endereços residenciais ligados à produtora. Agora, esse material poderá ser incorporado às diligências conduzidas pela PF.
Produtora promete entregar documentos
O contato direto da Polícia Federal com Karina ocorreu na quarta-feira (18), quando a produtora recebeu um e-mail solicitando sua colaboração voluntária com a investigação.
A PF pediu documentos relacionados ao filme, incluindo informações financeiras e prestações de contas. A intenção é reconstruir o fluxo de recursos utilizado para viabilizar “Dark Horse” e verificar sua procedência.
Karina afirmou a pessoas próximas que atenderá à solicitação.
“Vou colaborar com tudo”, disse Karina a interlocutores.
Entre os documentos que deverão ser apresentados está uma perícia contratada pela própria Go Up Entertainment para detalhar os gastos realizados com a produção.
O material deverá permitir aos investigadores comparar despesas, pagamentos e outras movimentações financeiras relacionadas ao longa.
Karina nega lavagem de dinheiro
Enquanto prepara a documentação solicitada, Karina também tem negado as suspeitas relacionadas às operações financeiras da empresa.
A produtora afirma que não praticou lavagem de dinheiro nem evasão de dívidas com os recursos recebidos para a produção. Também declara que “não faz parte de nenhuma organização criminosa”.
Karina sustenta ainda que “não fez nada de errado”.
Apesar da investigação em andamento, ela mantém a defesa do projeto cinematográfico e classifica o filme como uma “produção magnífica”.
As declarações ocorrem enquanto as autoridades tentam esclarecer tanto a origem quanto a destinação dos valores utilizados no projeto.
Até o momento, as informações apresentadas não indicam conclusão da Polícia Federal sobre eventual prática de crime. A investigação permanece na fase de coleta e análise de documentos e outros elementos relacionados à produção.
PF terá acesso a investigação de São Paulo
A autorização concedida por Flávio Dino amplia o conjunto de informações disponível para a Polícia Federal.
Com a decisão do ministro do STF, os investigadores poderão analisar dados reunidos pela Polícia Civil paulista durante as buscas realizadas em endereços ligados a Karina e às empresas relacionadas à produtora.
O compartilhamento permitirá que a PF confronte o material apreendido anteriormente com as informações que serão entregues voluntariamente pela Go Up Entertainment.
Um dos principais pontos da apuração é verificar se “Dark Horse” recebeu recursos públicos e, em caso positivo, identificar de onde partiram os valores e de que maneira foram empregados.
A possibilidade de utilização de emendas parlamentares está entre as linhas analisadas pelos investigadores.
A perícia encomendada pela própria produtora também deverá integrar o conjunto documental. O levantamento apresenta o detalhamento dos gastos realizados com o longa e será submetido à análise das autoridades.
Com a entrega prevista para sexta-feira, a investigação deverá entrar em uma nova etapa de análise das movimentações financeiras relacionadas ao filme. Caberá à Polícia Federal confrontar as informações fornecidas pela produtora com os dados já reunidos pela investigação paulista e com outros elementos obtidos durante a apuração.







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