Teste da Anistia aponta falhas da Meta contra fake news a dois meses das eleições

Anistia Internacional simulou 15 anúncios no Facebook e identificou brechas na moderação de conteúdos com desinformação eleitoral e defesa de intervenção militar

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A Anistia Internacional realizou um teste para avaliar a capacidade de moderação de anúncios da Meta antes das eleições presidenciais de 2026 no Brasil. A organização simulou 15 peças publicitárias no Facebook e identificou falhas na detecção de conteúdos considerados desinformativos sobre o processo eleitoral.

Segundo o levantamento, oito anúncios enviados do exterior foram aprovados pela plataforma mesmo contendo informações falsas relacionadas às eleições. Outros sete foram retidos por problemas na identificação do anunciante, sem que o sistema apontasse especificamente o caráter enganoso das mensagens.

A entidade informou que os anúncios foram programados para uma data futura e cancelados antes da publicação. Dessa forma, o experimento não teria provocado a circulação efetiva dos conteúdos testados entre usuários da rede social.

Mensagens sobre intervenção militar passaram

Um dos principais pontos identificados no teste foi a aprovação de mensagens com apelo à intervenção militar e à abstenção eleitoral. Entre quatro anúncios com discurso autoritário, três passaram pelo sistema de moderação da plataforma.

Uma das peças defendia uma suposta revolução militar e afirmava que os militares poderiam retomar o poder caso menos da metade dos eleitores participasse das eleições. Para a Anistia, o resultado evidencia uma dificuldade da plataforma em identificar conteúdos que atacam princípios democráticos.

O estudo também apontou que a Meta apresentou desempenho diferente diante de outros tipos de desinformação. Conteúdos que acusavam candidatos de crimes ou fraudes foram barrados com maior frequência durante o experimento.

Teste identificou brechas nas regras

A investigação também apontou possíveis falhas nas ferramentas de transparência e no controle geográfico dos anúncios políticos. Os pesquisadores conseguiram enviar as peças a partir de Londres sem declarar determinadas categorias especiais de publicidade e sem informar os responsáveis pelos pagamentos.

De acordo com a organização, essas práticas contrariariam tanto exigências previstas na legislação brasileira quanto regras estabelecidas pela própria Meta para a veiculação de publicidade política.

A Anistia Internacional avaliou que as brechas podem representar um risco para o direito dos eleitores de receber informações confiáveis durante o período que antecede a votação.

Organização cobra medidas antes das eleições

A entidade defendeu que empresas de tecnologia adotem medidas preventivas mais eficientes para impedir a circulação de narrativas capazes de prejudicar o processo democrático. O relatório também destaca a necessidade de recursos humanos e tecnológicos suficientes para aprimorar a fiscalização.

A preocupação ganha relevância diante da proximidade das eleições presidenciais brasileiras de 2026 e do potencial de campanhas digitais influenciarem a percepção dos eleitores.

Procurada pela Coluna Broadcast do Estadão, a Meta ainda não havia apresentado uma manifestação sobre os resultados do experimento até a publicação das informações. A empresa poderá esclarecer posteriormente os critérios utilizados na análise e aprovação dos anúncios.

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