Moro é acusado de agressão por ex-juíza, nega e pede indenização de R$ 100 mil

Senador e candidato ao governo do Paraná moveu ação contra a ex-juíza Luciana Dias Bauer, que relatou ter sido segurada pelo pescoço em 2016

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A Justiça do Paraná marcou para 29 de setembro a audiência de conciliação entre o senador Sergio Moro (PL) e a ex-juíza federal Luciana Dias Bauer. A sessão será realizada de forma virtual, às 9h40, na 6ª Vara Cível de Curitiba.

Moro, que é candidato ao governo do Paraná nas eleições de 2026, pede pelo menos R$ 100 mil por danos morais. A ação foi apresentada em janeiro, após Bauer relatar, em entrevista concedida à TV 247, que teria sido agredida pelo então colega de magistratura em 2016.

Segundo a ex-juíza, o episódio ocorreu dentro de um elevador no Foro da Justiça Federal de Curitiba. Ela afirma que Moro teria segurado seu pescoço e mandado que permanecesse em silêncio. O relato estaria relacionado a um período em que Bauer atuava em um habeas corpus durante um plantão judicial.

Defesa contesta versão apresentada

Na ação, a defesa de Sergio Moro nega a acusação e classifica o relato como uma narrativa criada quase dez anos depois do suposto episódio. Os advogados argumentam que Bauer não registrou boletim de ocorrência nem apresentou, naquele período, denúncia formal à corregedoria.

A defesa também menciona mensagens trocadas entre Bauer e uma integrante da equipe de Moro em 2017 e 2018. Em uma conversa de abril de 2018, a ex-juíza teria pedido livros de direito penal emprestados e encerrado a mensagem com a expressão “BJ”, abreviação de “beijos”.

Para os advogados do senador, a cordialidade demonstrada nas mensagens posteriores seria incompatível com a acusação de agressão. O processo também questiona outras declarações feitas pela ex-magistrada durante a entrevista.

Processo também envolve críticas à Lava Jato

Além da acusação de agressão, Moro afirma que Bauer o chamou de “mafioso” e “criminoso” e o relacionou a uma suposta organização criminosa ligada à Lava Jato. A defesa sustenta que essas declarações teriam ultrapassado os limites da liberdade de expressão.

Bauer deixou a magistratura em 2022 e atualmente trabalha como advogada. Na entrevista realizada em dezembro de 2025, ela afirmou que o episódio do elevador faria parte de um contexto mais amplo de perseguições e críticas relacionadas à atuação da 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Lava Jato.

Em nota, a ex-juíza afirmou que desconhece o processo e que ainda não foi citada. Ela também criticou a atuação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em relação à Lava Jato e declarou que, em sua avaliação, o tribunal não poderia julgar o caso por seus vínculos com o episódio.

A audiência de setembro terá como objetivo tentar um acordo entre as partes. Se não houver conciliação, o processo deverá avançar para as etapas de defesa e produção de provas, quando os envolvidos poderão apresentar novos elementos à Justiça.

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