Caiado ataca Lula, defende anistia do 8/1 e promete vencer petista

Candidato do PSD comparou a proposta de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro à anulação das condenações de Lula e fez críticas ao governo federal durante sabatina

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Ronaldo Caiado (PSD) usou a sabatina da TV Globo nesta terça-feira (25) para defender uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também fazer críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seus adversários na disputa pela Presidência.

Segundo na série de entrevistas da emissora com os presidenciáveis, o ex-governador de Goiás também apresentou propostas para segurança pública e ajuste fiscal. A entrevista foi conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli.

Logo no início, Caiado afirmou que considera a anistia uma forma de reduzir a polarização política no país.

“Sou um democrata na essência. Jamais transigi nas regras da democracia, nunca contestei resultados de eleições”, afirmou. Na sequência, disse que “o traço do brasileiro não é de construir o ódio” e citou episódios históricos de anistia no Brasil.

Anistia e Lula

Ao defender a medida para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, Caiado comparou a situação à anulação das condenações de Lula na Operação Lava-Jato.

O Supremo Tribunal Federal anulou as condenações porque entendeu que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os processos. A decisão não correspondeu juridicamente a uma anistia, embora Caiado tenha usado essa comparação durante a entrevista.

“Ele foi condenado em todas as instâncias. Todo mundo eufórico que havia combate à corrupção, e de repente o Supremo diz que o foro não era o correto, e uma atitude do Supremo o anistiou para que ele voltasse até a disputar a eleição”, declarou.

Caiado reiterou que, caso eleito, pretende apoiar uma anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A defesa dessa proposta também foi confirmada em outras coberturas da entrevista.

Ataques a Lula e Flávio

O candidato também aproveitou perguntas sobre governabilidade e relacionamento com o Congresso para atacar os dois candidatos que aparecem à frente nas pesquisas eleitorais, Lula e Flávio Bolsonaro.

“Você acha que Lula ou Flávio vão construir algum tipo de maioria para aprovar alguma emenda constitucional? Vou para o segundo turno e vou bater o Lula”, afirmou.

Em seguida, Caiado acusou os adversários de fazerem “populismo” e “negociata” e de protegerem familiares.

A ofensiva contra Lula e Flávio ocorre em uma campanha na qual ambos concentram a maior parcela das intenções de voto nas pesquisas mais recentes, enquanto candidatos de direita tentam ampliar espaço na disputa.

Narcotráfico

Na segurança pública, Caiado voltou a defender maior integração entre países sul-americanos no combate ao tráfico de drogas.

Durante a entrevista, chamou o Brasil de “Disneylândia do narcotráfico” e acusou o governo Lula de ser conivente com criminosos. Trata-se de uma avaliação política feita pelo candidato, e não de uma conclusão apresentada pelos entrevistadores.

“Hoje o único nicho que tem para traficante na América do Sul é o Brasil, que é o grande resort do narcotráfico, a Disneylândia do narcotráfico”, declarou.

Questionado sobre eventual participação de militares americanos em território brasileiro, Caiado rejeitou a ideia e afirmou que a cooperação poderia ser feita diretamente entre os países da região.

Ajuste fiscal

Outro tema abordado foi o controle das contas públicas. Caiado afirmou que pretende apresentar, no primeiro dia de um eventual governo, uma proposta de emenda constitucional para estabelecer limites às receitas do governo federal.

Segundo o candidato, seu plano seria corrigir as receitas pela inflação e limitar o peso do governo federal a, no máximo, 50% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ao ser questionado sobre onde seriam feitos os cortes, Caiado afirmou que não pretende atingir trabalhadores que recebem salário mínimo ou aposentados.

“Não vou mexer com o cara que ganha salário mínimo, com o aposentado”, disse.

Na sequência, afirmou que pretende começar os cortes pela própria estrutura pública, citando o que classificou como “excesso de salários”.

A entrevista de Caiado foi a segunda da série organizada pela TV Globo. Romeu Zema (Novo) abriu a rodada na segunda-feira (24). Renan Santos (Missão), Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury (Avante) e Lula (PT) estão na sequência prevista pela emissora.

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