A pressão sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para indicar uma mulher negra ao Supremo Tribunal Federal voltou a ganhar força nos bastidores de Brasília. Dez dias após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para a Corte, em uma derrota considerada histórica para o governo, a ONG Educafro encaminhou um manifesto ao Palácio do Planalto cobrando uma escolha inédita para a vaga aberta no STF.
A entidade, que atua na promoção da igualdade racial e social por meio da educação, apresentou uma lista com 15 juristas negras consideradas aptas para ocupar a cadeira deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, há quase sete meses. Entre os nomes sugeridos estão magistradas, desembargadoras, promotoras, advogadas e integrantes da Advocacia-Geral da União e do governo federal. As informações dão do colunista Lauro Jardim, de O Globo.
Manifesto cobra gesto histórico
No documento enviado ao presidente, a Educafro afirma que a escolha de uma mulher negra para o Supremo representaria “um ato de concretização da Constituição” e permitiria a Lula “romper uma barreira secular” dentro do Judiciário brasileiro.
A movimentação ocorre em meio ao clima de cautela instalado no governo após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado. A derrota expôs fragilidades na articulação política do Planalto e aumentou a preocupação de aliados com uma nova indicação ao STF ainda neste ano.
Segundo interlocutores do governo, Lula vem sendo aconselhado a evitar o envio imediato de um novo nome ao Senado para não correr o risco de enfrentar outra rejeição no plenário da Casa.
Lista reúne 15 juristas
A lista apresentada pela Educafro inclui profissionais com atuação em tribunais superiores, direitos humanos e igualdade racial. A ONG também sugeriu que Lula promova um encontro no Palácio da Alvorada com as 15 juristas, em formato de almoço ou jantar, como forma de aproximação institucional e política.
Até o momento, o presidente não respondeu oficialmente ao pedido da entidade.
A discussão sobre representatividade no Supremo tem ganhado força nos últimos anos, especialmente diante da ausência histórica de mulheres negras na composição da Corte. Atualmente, o STF nunca teve uma ministra negra em sua formação.
Derrota ampliou tensão
A rejeição de Jorge Messias marcou um episódio raro na relação entre Palácio do Planalto e Senado Federal. A derrota também ampliou o debate interno no governo sobre os critérios políticos e jurídicos para futuras indicações ao Supremo.
Nos bastidores, integrantes da base governista avaliam que a próxima escolha de Lula poderá ter forte peso simbólico e político, sobretudo diante das cobranças de movimentos sociais e entidades ligadas à pauta racial





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