Lula mira Bolsonaro novamente e usa pandemia como arma política para 2026

Presidente resgata críticas à condução da pandemia e orienta militância a divulgar documento sobre gestão anterior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elevar o tom contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ao retomar críticas sobre a condução da pandemia da Covid-19. Durante cerimônia no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (11), Lula exibiu um relatório com críticas à atuação do governo anterior e incentivou apoiadores a divulgarem o material.

A declaração foi feita durante a sanção do projeto que institui o dia 12 de março como data nacional em memória das vítimas da Covid-19. O presidente afirmou que o documento reúne episódios e declarações feitos ao longo da pandemia e disse que a militância precisa conhecer o conteúdo.

Segundo Lula, o relatório teria sido produzido pelo Ministério da Saúde. No entanto, o ministro Alexandre Padilha afirmou posteriormente que elaborou o material como pessoa física, sem utilizar a estrutura oficial da pasta.

Críticas à gestão Bolsonaro

Ao comentar o documento, Lula voltou a atacar falas de Bolsonaro sobre vacinas e criticou médicos e grupos que defenderam o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, medicamento sem comprovação científica para combater a doença.

O petista afirmou que o material registra “tudo o que foi falado durante dois anos de pandemia” e acusou integrantes do governo anterior de minimizar a gravidade da crise sanitária.

Durante o discurso, Lula também fez referência indireta ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, chamando-o de “fujão”, sem citar o nome diretamente. O parlamentar está nos Estados Unidos desde o ano passado.

Estratégia para 2026

Nos bastidores do governo, aliados de Lula avaliam que a comparação entre as gestões petista e bolsonarista será uma das principais estratégias políticas para as eleições de 2026. A intenção do Palácio do Planalto é reforçar a associação entre Bolsonaro e a condução da pandemia, tema que teve forte impacto eleitoral em 2022.

O governo também tenta ampliar a rejeição ao grupo bolsonarista mirando possíveis adversários para a próxima disputa presidencial, entre eles o senador Flávio Bolsonaro.

Integrantes da base governista vêm intensificando discursos que associam aliados do ex-presidente às polêmicas envolvendo a pandemia e às críticas sobre vacinas e medidas sanitárias adotadas durante a crise.

Padilha minimiza polêmica

Após o evento, Alexandre Padilha foi questionado por jornalistas sobre o fato de um documento crítico ao governo Bolsonaro ter sido apresentado durante um ato oficial no Planalto.

O ministro respondeu que produziu o relatório sem utilizar recursos institucionais do Ministério da Saúde e afirmou que Lula não determinou distribuição do material pela estrutura do governo.

A cerimônia também relembrou a primeira morte por Covid-19 registrada no Brasil, ocorrida em março de 2020. Nos três anos seguintes, o país ultrapassou a marca de 700 mil mortes causadas pela doença.

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