Símbolo de poder supremo, fotos de mandatários em gabinetes e repartições públicas estão incorporadas à tradição político-administrativa do país. A cada eleição, renova-se a fotografia do presidente, governador ou prefeito em um gesto tão eloquente quanto simbólico da troca de poder.
Na parte superior das mesas de trabalho, subordinados fixam o retrato do mandatário em demonstração de absoluta submissão ao chefe.
Em governos interinos, marcados pela natural transitoriedade, tal prática costuma ser incomum. Prevalece a cautela típica de uma situação indefinida.
No Rio — ou, mais precisamente, no gabinete do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Tarciso Sales —, a mudança foi imediata, ainda que permaneça incerto se o estado terá eleições diretas ou indiretas nos próximos meses.
Tarcísio foi rápido no gatilho. Por iniciativa própria, mandou trocar a foto de Cláudio Castro pela de Ricardo Couto.
Quis demonstrar a todos sua instantânea conversão: de ardoroso admirador do ex-governador a disciplinado discípulo do desembargador que hoje ocupa o Palácio Guanabara.







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