O Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) divulgou nesta sexta-feira uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) seja ocupada por uma mulher negra. A solicitação ocorre diante da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, que deixa uma cadeira aberta na Corte. Entre os cotados para o posto estão o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.
Instituto critica falta de presença negra em cargos de destaque
Segundo levantamento do IDPN, nos 34 meses do atual governo, apenas duas mulheres negras foram nomeadas para posições relevantes na Justiça: Edilene Lôbo e Vera Lúcia Santana de Araújo, ambas no Tribunal Superior Eleitoral — em cargos temporários e sem remuneração fixa. O texto da carta critica o padrão de exclusão: “Mulheres negras, novamente, a serviço do Estado brasileiro de forma gratuita”.
Apoio nas urnas, ausência nas nomeações
O instituto lembra que Lula recebeu expressivo apoio desses grupos em 2022 — 60% dos eleitores pretos e 52% das mulheres votaram nele, segundo o Datafolha —, mas que essa base segue sub-representada em cargos políticos e institucionais. “O presidente que tirou o Brasil do mapa da fome e ampliou o acesso de pessoas negras às universidades tem agora a chance de reparar uma das mais persistentes violências simbólicas da República”, afirma o documento.
Campanha ‘Ministra Negra Já’ volta à tona
A carta também retoma a campanha “Ministra Negra Já”, lançada em 2023, que ganhou visibilidade internacional com ações na Times Square e em Nova Déli. Na época, Lula afirmou que avaliava nomes, mas não revelou quem seriam os indicados. Agora, o IDPN considera que a saída de Barroso representa uma nova oportunidade de concretizar essa pauta histórica.
Movimento exige escuta e igualdade na sucessão
O Instituto declara não ter a intenção de sugerir nomes, mas reivindica que o movimento negro seja ouvido no processo de sucessão do STF, em igualdade com outros grupos políticos. “O Movimento Negro Brasileiro não busca cargos: constrói um projeto de país”, encerra a carta, destacando cinco séculos de resistência e luta por espaço e reconhecimento nas esferas de poder.






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