Lula manda diretor da PF procurar Mendonça para reduzir tensão com STF

Encontro deve ser mediado pelo ministro da Justiça e ocorre diante de desconfianças sobre o andamento dos casos Dark Horse/Master e INSS/Lulinha

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deve se reunir nos próximos dias com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma tentativa de reduzir as tensões entre o gabinete do magistrado e a cúpula da corporação, informa o blog da Ana Flor, no portal g1. A relação entre os dois lados é marcada atualmente por desconfianças sobre o andamento de investigações de forte repercussão política.

Segundo relatos de bastidores, o encontro foi determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deverá ter a mediação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

No centro das divergências estão dois conjuntos de investigações relatados por Mendonça: os casos Dark Horse/Master e INSS/Lulinha. As apurações atingem personagens de diferentes campos políticos e são consideradas de elevado potencial de desgaste no cenário eleitoral de 2026.

As tensões envolvem principalmente o ritmo das investigações e suspeitas de vazamentos de informações. Decisões relacionadas à escolha de delegados e à disponibilização de recursos para as equipes da PF também passaram a provocar questionamentos nos bastidores.

Desconfiança envolve PF e gabinete de Mendonça

Integrantes da Polícia Federal e interlocutores do gabinete de André Mendonça demonstram desconfiança sobre a maneira como os inquéritos vêm sendo conduzidos. O ambiente se deteriorou à medida que as investigações ganharam repercussão política.

Movimentos do diretor-geral da PF relacionados à condução das apurações, à designação dos responsáveis pelos casos e à distribuição de recursos para as equipes passaram a ser alvo de críticas.

Entre interlocutores envolvidos na disputa, algumas dessas iniciativas são interpretadas como movimentos de natureza política.

A reunião entre Mendonça e Andrei Rodrigues surge, nesse contexto, como uma tentativa de restabelecer um canal direto de diálogo entre o relator e a direção da Polícia Federal.

O desconforto não está restrito à relação com a corporação. Dentro do próprio STF, o andamento dos casos também evidenciou diferenças entre ministros sobre a condução das investigações.

As divergências aparecem de maneira mais evidente entre André Mendonça e o vice-presidente da Corte, Alexandre de Moraes, sobretudo em questões relacionadas ao caso Master e seus desdobramentos.

Dark Horse amplia repercussão do caso Master

A investigação sobre o filme Dark Horse surgiu como um desdobramento do inquérito do Banco Master, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição.

O caso passou a alcançar a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro depois da revelação de mensagens nas quais o senador Flávio Bolsonaro solicitava recursos a Vorcaro para financiar o longa-metragem.

A partir desse material, a Polícia Federal passou a investigar a origem dos recursos e a existência de eventuais contrapartidas políticas.

Os investigadores também apuram suspeitas de que parte do dinheiro possa ter sido destinada ao financiamento de atividades de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos.

A investigação provocou ainda uma disputa sobre quem deveria conduzi-la no Supremo. Setores ligados ao PT defendiam que o caso ficasse sob responsabilidade de Alexandre de Moraes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), entretanto, avaliou que os fatos apresentavam conexão direta com a investigação do Banco Master, já relatada por André Mendonça. Esse entendimento prevaleceu, e o ministro permaneceu responsável pelo caso.

Desde então, o avanço das apurações passou a envolver também discussões internas sobre compartilhamento de provas, ritmo das diligências e estratégias adotadas pelos investigadores.

Caso INSS/Lulinha também pressiona governo

Outra investigação sob responsabilidade de Mendonça com potencial de repercussão eleitoral envolve Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.

O caso deriva de inquéritos abertos a partir da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes envolvendo descontos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os desdobramentos das investigações alcançaram Lulinha e passaram a ser acompanhados com atenção pelo governo diante do possível impacto político sobre o presidente em plena disputa eleitoral.

Assim, Mendonça concentra atualmente investigações que atingem personagens próximos tanto de Lula quanto de Jair Bolsonaro, ampliando a exposição política das decisões tomadas pelo relator.

No caso Dark Horse, as apurações envolvem o financiamento da cinebiografia de Bolsonaro e alcançam Flávio Bolsonaro. Já os desdobramentos da Operação Sem Desconto colocaram o filho de Lula entre os investigados.

Com os inquéritos avançando em meio ao calendário eleitoral, a expectativa é que a reunião entre André Mendonça e Andrei Rodrigues tente estabelecer parâmetros para a relação entre o STF e a Polícia Federal e reduzir as divergências sobre a condução das apurações.

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