Flávio Bolsonaro (PL) voltou sua campanha presidencial para o eleitorado nordestino nesta quarta-feira (26) e usou uma carreata em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, para apresentar uma de suas principais promessas para a região: a construção do chamado Trem do Nordeste, uma ferrovia de aproximadamente 1.400 quilômetros que ligaria sete capitais.
O candidato participou de um percurso de cerca de 7 quilômetros acompanhado do vice de sua chapa, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), e de centenas de apoiadores. Durante o ato, Flávio fez sucessivos acenos à região e afirmou que “o Brasil só vai ser grande quando o Nordeste for grande”.
Em outro momento, apresentou-se ao público como “o carioca mais nordestino que vocês já viram em suas vidas”.
Trem entre sete capitais
A principal promessa apresentada durante a passagem por Arapiraca foi a implantação do Trem do Nordeste.
De acordo com o plano citado pelo candidato, a ferrovia teria cerca de 1.400 quilômetros de trilhos e conectaria Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza.
Flávio também aproveitou o discurso para atacar os governos do PT e questionar os resultados das gestões petistas na região.
“Foram quase vinte do governo do PT. E o que que melhorou na vida do nordestino? Quem trouxe água foi o presidente [Jair] Bolsonaro”, afirmou.
A declaração fazia referência à transposição do Rio São Francisco. A obra começou durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e teve etapas executadas por diferentes governos. Durante a Presidência de Jair Bolsonaro, foi inaugurado um trecho do eixo norte do projeto.
Disputa por votos
A ofensiva no Nordeste tem peso estratégico para a candidatura de Flávio. Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (24) aponta Lula com 53% das intenções de voto na região, contra 25% do candidato do PL.
A campanha bolsonarista aposta em diminuir essa diferença, especialmente diante do peso que o eleitorado nordestino teve no resultado de 2022.
Na eleição presidencial daquele ano, Lula abriu uma vantagem de aproximadamente 12,5 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro na região. No resultado nacional, a diferença entre os dois foi de cerca de 2,1 milhões de votos.
Alagoas foi escolhido para abrir o giro regional também por ter sido o estado nordestino onde Jair Bolsonaro alcançou uma das maiores votações no segundo turno de 2022. Lula venceu no estado com 58,68%, enquanto Bolsonaro obteve 41,32%.
Em Arapiraca, a diferença foi menor: Lula recebeu 52,74% dos votos válidos contra 47,26% de Bolsonaro.
Ausências no palanque
Apesar dos acenos ao eleitorado local, a passagem de Flávio por Alagoas também evidenciou dificuldades na construção de um palanque mais amplo.
O candidato ao Governo de Alagoas João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, não participou da carreata em Arapiraca. Flávio esperava contar com o apoio do tucano, que até agora não compareceu aos atos do presidenciável no estado.
Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara e candidato ao Senado, também não esteve na carreata. Ele havia aparecido ao lado de Flávio em um culto da Assembleia de Deus realizado em Maceió na terça-feira (25), mas manteve distância dos demais compromissos públicos da campanha.
Durante o evento desta quarta-feira, estiveram presentes políticos como o deputado federal Marx Beltrão (União Brasil) e o deputado estadual Cabo Bebeto (PL).
STF e pautas conservadoras
Flávio também voltou a abordar temas direcionados ao eleitorado conservador.
O candidato prometeu, caso eleito, indicar ministros e ministras para o Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam contrários ao aborto e às drogas e que, segundo suas palavras, “não usem seu poder pra perseguir ninguém”.







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