A Polícia Civil de São Paulo encaminhou nesta quarta-feira (26) à Polícia Federal, em Brasília, dados e documentos da Operação Wi-Fi, após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material será usado em investigação sobre suspeitas de irregularidades envolvendo uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A operação, realizada em junho, teve entre os alvos o Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado pela empresária Karina Ferreira da Gama, também sócia da produtora Go UP. A Polícia Civil investiga suspeitas de fraude em um contrato de R$ 108 milhões por ano com a Prefeitura de São Paulo e possível desvio de recursos.
PF recebe documentos e dados de celulares
O material enviado inclui a íntegra do inquérito, com depoimentos, documentos e relatórios, além de dados brutos extraídos de celulares e outras mídias apreendidas. Parte dos aparelhos, porém, ainda não havia passado pelo processo de extração devido à fila de perícias ou a limitações técnicas para acesso a conteúdos criptografados.
Nesses casos, os próprios celulares foram encaminhados à PF. Se a corporação conseguir acessar as informações, os dados deverão ser compartilhados posteriormente com a Polícia Civil de São Paulo, para auxiliar também na investigação estadual.
Investigação apura possível uso de emendas
Ao pedir o compartilhamento, a PF informou ao STF que o ICB está no centro da apuração sobre emendas parlamentares e que os elementos recolhidos em endereços da ONG, da empresária Karina Ferreira da Gama e de outras empresas podem aprofundar e acelerar o inquérito.
Os investigadores pretendem analisar computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros. O compartilhamento autorizado por Dino inclui tanto dados brutos quanto relatórios já produzidos sobre as mídias apreendidas.
Apuração envolve entidades ligadas a Karina Gama
O inquérito no STF foi aberto após Flávio Dino determinar uma apuração da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre emendas destinadas pelos deputados Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura (ANC).
As duas entidades são investigadas por supostamente integrarem um mesmo núcleo de gestão coordenado por Karina Ferreira da Gama. A PF também está detalhando as relações empresariais da investigada e de suas empresas, além de analisar eventuais doações eleitorais relacionadas aos envolvidos.







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