O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta terça-feira (21) para uma viagem oficial de uma semana à Ásia, com passagens pela Indonésia e pela Malásia, onde participará da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A visita tem caráter diplomático e econômico, mas pode marcar também o reencontro do presidente brasileiro com o líder dos EUA Donald Trump.
Segundo auxiliares do Planalto, há disposição de ambos os lados para que Lula e Trump realizem uma reunião reservada durante o evento, em território malaio. As equipes das duas presidências estão em tratativas para alinhar as agendas e viabilizar o encontro, que ainda não foi confirmado oficialmente.
Primeiro encontro formal desde o tarifaço
Se concretizada, a conversa entre Lula e Trump será a primeira reunião formal presencial entre os dois desde o início da crise comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em julho, Trump anunciou a taxação de 50% sobre as importações do Brasil, alegando “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida entrou em vigor em agosto e foi classificada por Brasília como “injustificável”.
Os dois chefes de Estado voltaram a se falar no início deste mês, por telefone, durante uma ligação de 30 minutos. No diálogo, Lula pediu a revogação das tarifas e defendeu o restabelecimento das relações comerciais em bases equilibradas. Segundo interlocutores, o presidente brasileiro deve reforçar o pedido em uma eventual reunião presencial.
Antes disso, Lula e Trump haviam se encontrado brevemente nos corredores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro. Na ocasião, o líder dos EUA afirmou que teve “uma química excelente” com o brasileiro, “que pareceu um cara muito agradável”.
Reaproximação e agenda bilateral
O Planalto considera que um encontro na Malásia representaria um avanço nas relações diplomáticas entre os dois países, que se desgastaram nos últimos meses.
A percepção no governo é de que o diálogo foi “destravado” após a “reunião muito positiva” entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Além da questão comercial, Lula deve abordar eventuais sanções impostas a autoridades brasileiras e manifestar posição contrária a qualquer intervenção militar ou política de Washington em países da América do Sul, especialmente Venezuela e Colômbia.
Os conselheiros de Lula recomendam, no entanto, que a conversa mantenha tom diplomático, sem confronto, e priorize a negociação para suspender a tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros.
Itinerário da viagem à Ásia
A agenda do presidente brasileiro começa na Indonésia, onde ele desembarca na quarta-feira (22). Na quinta-feira (23), Lula participará de um encontro com empresários e, na sexta (24), visitará a sede da ASEAN.
No sábado (25), Lula seguirá para Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde terá compromissos privados e participará de uma cerimônia de assinatura de atos bilaterais. O ponto alto da viagem será no domingo (26), com a abertura da cúpula da ASEAN, que reunirá líderes asiáticos e convidados de outras regiões.
O Itamaraty reservou o domingo para reuniões bilaterais do presidente, entre elas um encontro confirmado com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Segundo o embaixador Everton Frask Lucero, diretor do Departamento de Índia, Sul e Sudeste da Ásia, há espaço na agenda de Lula pela manhã, o que abre possibilidade para o aguardado encontro com Trump.
Caso ocorra, a reunião deve marcar um momento decisivo de distensão entre Brasil e Estados Unidos — e pode redefinir o rumo da política comercial entre as duas maiores economias do hemisfério.






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