Guerra recomeça: EUA atacam Irã e Teerã promete reação

Nova ofensiva norte-americana atinge alvos estratégicos no sul do Irã horas após Teerã prometer retaliar qualquer agressão

A tensão voltou a crescer no Oriente Médio nesta quarta-feira (10), após os Estados Unidos realizarem uma nova onda de bombardeios contra o Irã. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), os ataques começaram por volta das 18h15 no horário de Brasília e tiveram como alvo múltiplas instalações militares iranianas.

Trata-se do segundo dia consecutivo de ofensivas norte-americanas contra o território iraniano, em um momento em que o cessar-fogo em vigor desde abril enfrenta novos sinais de fragilidade.

Segundo comunicado divulgado pelos militares dos EUA, a operação foi autorizada pelo presidente Donald Trump e classificada como uma ação de autodefesa em resposta ao que Washington considera agressões contínuas por parte do Irã.

Explosões perto de Ormuz

Agências estatais iranianas relataram explosões em diversas cidades do sul do país, incluindo Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, localidades próximas ao estratégico Estreito de Ormuz.

Também houve relatos de ativação de sistemas de defesa aérea em Isfahan. A imprensa iraniana mencionou ainda confrontos marítimos entre forças dos dois países na região, embora sem detalhar os episódios.

Autoridades norte-americanas informaram que os alvos atingidos incluíam radares, sistemas de defesa aérea e centros de comando e controle de drones militares.

Teerã promete reagir

Mais cedo, o governo iraniano havia afirmado que responderia de forma dura a qualquer nova ofensiva dos Estados Unidos.

A declaração ocorreu um dia após ataques iranianos contra instalações militares americanas na região do Golfo Pérsico, em retaliação a ações anteriores de Washington.

O governo de Teerã também advertiu que uma eventual ampliação do conflito poderia ultrapassar as fronteiras do Oriente Médio e produzir consequências mais amplas para a segurança internacional.

Cessar-fogo sob pressão

A nova troca de ataques coloca em dúvida a estabilidade do cessar-fogo estabelecido em abril após meses de confrontos entre os dois países.

Desde então, Washington e Teerã têm trocado acusações de violações da trégua. Nas últimas semanas, bombardeios contra sistemas de radar, drones e instalações militares próximas ao Estreito de Ormuz já haviam elevado a tensão entre os dois governos.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passa uma parcela significativa do petróleo transportado globalmente. Qualquer escalada militar na região costuma provocar preocupação nos mercados internacionais e nas cadeias globais de energia.

Trump promete manter pressão

Horas antes da ofensiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos voltariam a agir militarmente contra o Irã ainda nesta quarta-feira.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou que os bombardeios seriam direcionados a instalações consideradas estratégicas e ajudariam a proteger os interesses norte-americanos na região.

Apesar disso, o governo iraniano reiterou que não pretende negociar sob pressão militar e que qualquer solução diplomática dependerá do fim das ações ofensivas dos Estados Unidos.

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