Em uma conversa telefônica de cerca de 30 minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reabriram um canal de diálogo direto e discutiram medidas para reduzir tensões comerciais entre os dois países. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Palácio do Planalto.
De acordo com o governo brasileiro, os líderes trocaram telefones pessoais para “estabelecer uma via direta de comunicação” e concordaram em se encontrar presencialmente nas próximas semanas. A conversa, descrita como cordial, ocorreu após o breve encontro que ambos tiveram em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Na ocasião, Trump chegou a dizer que houve “ótima química” entre os dois.
Lula lembrou que EUA têm superávit com Brasil
Durante o telefonema, Lula pediu ao presidente norte-americano que reavaliasse a sobretaxa de 50% imposta a produtos brasileiros e as sanções aplicadas contra autoridades do país, sem citar o ministro do STF Alexandre de Moraes punido com a Lei Magnitsky, e outras pessoas sancionadas. “Recordei que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços”, afirmou o petista em mensagem publicada nas redes sociais. “Solicitei ao presidente Trump a retirada da sobretaxa e das medidas restritivas impostas a autoridades brasileiras.”
Segundo o Planalto, Trump respondeu positivamente ao pedido e designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Punião de autoridades brasileiras também em pauta
Além das tarifas, o governo brasileiro tenta reverter medidas adotadas por Washington nos últimos meses, como o cancelamento de vistos de autoridades nacionais — entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal e membros do Executivo — e a inclusão do ministro Alexandre de Moraes e de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, na lista de sanções da Lei Magnitsky, instrumento jurídico usado pelos EUA para punir estrangeiros acusados de violar direitos humanos.
Lula também aproveitou a conversa para sugerir um encontro presencial durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), marcada para o fim de outubro, na Malásia. A cúpula é vista pelo Itamaraty como um espaço neutro para a retomada das relações bilaterais, abaladas desde o início do segundo mandato de Trump. O governo brasileiro, no entanto, ainda não recebeu confirmação da presença do republicano no evento.
Convite para Trump participar da COP30
O presidente brasileiro reiterou ainda o convite para que Trump participe da COP30, em Belém (PA), no próximo ano, e afirmou estar disposto a visitar os Estados Unidos “para restabelecer as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”.






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