As eleições presidenciais de 2026 prometem transformar o Rio de Janeiro em um dos principais campos de disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O estado, que durante anos foi um dos maiores redutos eleitorais do PT, passou por uma profunda mudança política nas últimas eleições e hoje é considerado estratégico para os dois grupos.
A transformação ficou evidente em municípios como Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em 2002 e 2006, Lula recebeu mais de 80% dos votos válidos na cidade. Já nas eleições de 2018 e 2022, Jair Bolsonaro venceu com ampla vantagem, consolidando a mudança no perfil do eleitorado local.
Especialistas apontam fatores para a mudança
Pesquisadores e lideranças políticas atribuem a virada eleitoral a uma combinação de fatores. Entre eles estão os efeitos da Operação Lava Jato, que enfraqueceu antigas lideranças fluminenses ligadas ao PT e ao MDB, a ascensão política da família Bolsonaro no estado e a aproximação de políticos tradicionais ao campo conservador.
Outro fator citado é o crescimento do eleitorado evangélico no Rio de Janeiro. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, 32% da população fluminense com mais de 10 anos se declara evangélica, percentual acima da média nacional. Especialistas afirmam que a influência de lideranças religiosas ajudou a fortalecer o bolsonarismo no estado.
“A entrada das lideranças evangélicas na política vai aflorar mesmo a partir de 2014 e, principalmente, em 2018”, afirma o cientista político Antônio Alckmin.
“A expansão evangélica tem lideranças aqui no Rio como o bispo Edir Macedo, o [deputado Marcelo] Crivella e Silas Malafaia”.
Economia e alianças estarão no centro da disputa
Para o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, o partido perdeu espaço após o rompimento de alianças históricas e pela mudança do discurso político nos últimos anos.
O PT, enquanto foi um partido na década de 1980 que não fazia aliança, sempre teve 15%, 20% do eleitorado do Rio. Só passou a ter maioria depois que fez a aliança com o brizolismo”, avalia Washington Quaquá, prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT.
Segundo ele, a parceria com o prefeito Eduardo Paes (PSD) poderá fortalecer novamente o palanque de Lula no Rio. “Com o impeachment da Dilma, o PT voltou a ser um partido que dialoga estritamente com o eleitorado de esquerda. Como passou a pautar como prioridade da ação política a questão comportamental, afastou o eleitorado popular que é conservador”, completa.
Já o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, aliado de Flávio Bolsonaro, afirma que a economia será o principal fator da campanha. Na avaliação dele, o aumento do custo de vida e a perda do poder de compra terão peso maior do que a mobilização religiosa na decisão dos eleitores.
“A gente inaugurou um novo tempo depois da Lava Jato. O Rio de Janeiro tinha uma liderança política toda integrada com o governo. […] O Bolsonaro, por ser do estado, capturou esse ativo político, que estava órfão”, afirma Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias.
Rio deve ser decisivo em 2026
Com um dos maiores colégios eleitorais do país, o Rio de Janeiro volta ao centro da disputa presidencial. Enquanto o PT tenta recuperar o espaço perdido por meio de novas alianças e da pauta social, o PL aposta na força política da família Bolsonaro, no eleitorado conservador e na influência das lideranças evangélicas para manter a vantagem conquistada nos últimos pleitos.
O desempenho dos candidatos no estado poderá ser determinante para o resultado da eleição nacional, consolidando o Rio como um dos principais termômetros da corrida ao Palácio do Planalto.
*Com informações da Folha de S. Paulo






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