O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) pediu, nesta segunda-feira (7), o afastamento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. As declarações foram feitas durante um ato no Obelisco do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, em meio ao feriado de 7 de setembro.
As reivindicações foram apresentadas em um manifesto lido por Renan durante o evento. O texto também defende a continuidade das investigações envolvendo o Banco Master e a apuração da conduta de autoridades políticas, empresariais e do meio jurídico. “Que se abra a caixa-preta do Banco Master e que parem todos na cadeia”, afirmou o candidato durante o discurso.
Renan também voltou a criticar os candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas eleitorais, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele afirmou considerar “assustador” que os dois continuem liderando as pesquisas e os acusou de envolvimento em escândalos relacionados ao Banco Master, ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a emendas parlamentares. Em outro momento, chamou os dois de “ladrões” e “bandidos”.
O candidato também criticou a postura do eleitorado brasileiro. Segundo ele, parte da população estaria “viciada no erro” e mais preocupada em defender políticos de sua preferência do que em combater a corrupção.
“O povo brasileiro demonstra que o fim nunca foi combater a corrupção, nunca foi ter um país decente, mas falar que o seu ladrão rouba menos do que o ladrão do vizinho”, declarou.
Críticas a gerações mais velhas
Durante o discurso, Renan fez críticas especialmente às gerações mais velhas e afirmou que os eleitores mais jovens seriam os que mais estariam preocupados com o futuro do país. “As gerações mais novas no Brasil são as únicas que entenderam o problema brasileiro, porque as gerações mais velhas decidiram, por conta própria, abandonar o país à própria sorte”, disse.
O candidato também associou o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas ao que classificou como uma busca por uma alternativa de menor confronto na política. “A resposta que certo eleitor de meia idade está dando, especialmente mulher, é de não quero saber nada com política, quero um rivotril. Que é o discurso de Augusto Cury, que é ainda pior do que o discurso dos demais que lideram”, afirmou.
No debate da Band realizado em 24 de agosto, Cury já havia criticado Renan e afirmado estar “assombrado” com a agressividade do candidato do Missão.
Pedido de nova Constituição
Renan também defendeu durante o ato a elaboração de uma nova Constituição para o país. “Nós precisamos vencer as eleições para que o nosso país se torne uma nação, para que a gente tenha uma nova Constituição. Isso precisa ser dito: a nossa Constituição e os nossos constituintes fracassaram”, declarou.
O candidato, no entanto, não apresentou durante o discurso detalhes sobre como pretende convocar um novo processo constituinte ou quais dispositivos da Constituição de 1988 pretende alterar.
Segurança pública
Na parte do discurso dedicada à segurança pública, Renan defendeu que policiais atirem contra criminosos armados e rejeitou a classificação da proposta como radical. “Ousar dizer que o homem que aparece com uma arma e aponta para uma pessoa na rua tem que tomar o tiro do policial é radicalismo? É aceitar, portanto, que o normal é ser assaltado?”, disparou.
Em seguida, afirmou que não aceita um modelo de democracia que, em sua avaliação, permita o avanço do crime organizado. “Eu não aceito essa democracia que torna brasileiros escravos do crime organizado e ladrões donos das nossas ruas. Se isso é democracia para vocês, eu não sou um democrata”, destacou. Na sequência, afirmou que o Brasil é uma “república democrática” e disse defender que os direitos humanos dos brasileiros sejam respeitados.
O ato ocorre poucos dias depois de Renan ter protocolado, na última quarta-feira (2), pedidos de impeachment no Senado contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, apontando possíveis relações dos dois com o caso do Banco Master como justificativa.







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