Garotinho: do auge político à batalha para disputar 2026

Ex-governador construiu uma das trajetórias mais influentes da política fluminense, mas nova barreira judicial pode tirá-lo da disputa

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A trajetória política de Anthony Garotinho é marcada por uma transformação que atravessa quase três décadas: da ascensão ao governo do Rio de Janeiro e à disputa pela Presidência da República às sucessivas batalhas judiciais que colocaram sua elegibilidade em xeque.

Em 2026, o ex-governador tenta voltar ao cargo que ocupou entre 1999 e 2002, mas encontrou novamente um obstáculo na Justiça Eleitoral. Nesta sexta-feira (11), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) rejeitou, por unanimidade, o registro de sua candidatura ao governo do estado.

A decisão considerou, entre outros pontos, uma condenação por improbidade administrativa, questões relacionadas à filiação partidária e problemas na documentação apresentada no registro.

Veja a trajetória do político com o Rio de Janeiro:

1998 — A chegada ao Palácio Guanabara

Anthony Garotinho chegou ao governo do Rio de Janeiro em 1998, pelo PDT, após vencer a eleição estadual. A campanha foi marcada por um discurso voltado às camadas populares e pela defesa de programas sociais, entre eles o Cheque Cidadão.

A vitória consolidou Garotinho como uma das principais lideranças políticas do estado e ampliou sua influência sobre diferentes regiões do Rio, especialmente no interior.

2002 — A disputa pela Presidência

Quatro anos depois de conquistar o governo fluminense, Garotinho deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Em 2002, pelo PSB, terminou a eleição em terceiro lugar, com mais de 15 milhões de votos, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB).

O resultado confirmou sua relevância eleitoral em âmbito nacional e o colocou entre os principais nomes da oposição ao então candidato petista.

2003 a 2006 — Rosinha no governo

Após a saída de Garotinho do Palácio Guanabara, sua mulher, Rosinha Garotinho, foi eleita governadora em 2002. Ela assumiu o cargo em janeiro de 2003 e permaneceu até 2006.

Durante o período, Garotinho manteve forte influência política no estado e ocupou o cargo de secretário de Estado de Governo. A gestão consolidou a presença do grupo político dos Garotinho no comando do Rio.

2010 — A força eleitoral em Campos

Em 2010, Garotinho voltou a demonstrar sua força nas urnas ao ser eleito deputado federal pelo PR. Com mais de 694 mil votos, foi o candidato à Câmara mais votado do Rio de Janeiro naquele pleito.

O desempenho eleitoral manteve Campos dos Goytacazes e o Norte Fluminense como importantes bases políticas do ex-governador.

2016 e 2017 — Prisões e a Operação Cheque Cidadão

A trajetória de Garotinho passou a ser marcada por uma série de investigações e processos judiciais. Em 2016, ele foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Cheque Cidadão, que investigava um suposto esquema de compra de votos envolvendo beneficiários de programas sociais em Campos dos Goytacazes.

O caso ampliou os problemas jurídicos enfrentados pelo ex-governador e passou a ter impacto direto sobre suas pretensões eleitorais nos anos seguintes.

2018 a 2022 — Disputas pela elegibilidade

Nos anos seguintes, Garotinho enfrentou sucessivas decisões da Justiça Eleitoral relacionadas ao registro de suas candidaturas.

A aplicação da Lei da Ficha Limpa e condenações por órgãos colegiados passaram a ser obstáculos para sua participação em eleições. Recursos apresentados pela defesa levaram o caso a diferentes instâncias da Justiça Eleitoral, incluindo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O cenário jurídico passou a acompanhar praticamente todas as tentativas do político de retornar às disputas eleitorais.

A condenação que voltou ao centro da disputa

A decisão do TRE-RJ em 2026 tem como um dos principais fundamentos uma condenação definitiva por improbidade administrativa relacionada a um esquema que, segundo o processo, desviou R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006.

Naquele período, Rosinha Garotinho era governadora e Anthony Garotinho ocupava a Secretaria de Estado de Governo.

A condenação estabeleceu a suspensão dos direitos políticos por oito anos. A principal controvérsia passou a ser a data em que esse período deveria começar a ser contado.

Segundo o entendimento adotado pela Justiça, Garotinho perdeu em 26 de maio de 2020 o prazo para recorrer da condenação. O Superior Tribunal de Justiça reconheceu esse entendimento em 2023. Com isso, o trânsito em julgado passou a ser considerado ocorrido em maio de 2020, fazendo com que a suspensão dos direitos políticos se estenda, segundo esse cálculo, até maio de 2028.

Em 2025, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, também manteve a rejeição de recurso apresentado pelo ex-governador.

TSE ainda pode analisar o caso

A decisão do TRE-RJ não significa necessariamente o fim da candidatura. Garotinho pode recorrer ao TSE.

Antes mesmo do julgamento desta sexta-feira, o ministro Floriano de Azevedo Marques havia autorizado o ex-governador a receber recursos públicos de campanha e participar do horário eleitoral gratuito enquanto o registro estivesse sob análise judicial.

A decisão deixou claro, porém, que essa autorização não representa o reconhecimento definitivo da candidatura. O mérito da situação eleitoral de Garotinho ainda poderá ser analisado pelo TSE caso a defesa recorra.

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