A Linha 3 do metrô abriu um dos primeiros confrontos diretos entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) no debate da TV Globo para o Governo do Rio, na noite desta terça-feira (29), a cinco dias do primeiro turno. Ruas questionou o adversário sobre promessas na área de mobilidade, enquanto Paes respondeu destacando obras realizadas durante suas gestões na Prefeitura do Rio. Na réplica e na tréplica, os dois elevaram o tom e trocaram acusações sobre suas trajetórias administrativas.
O projeto da Linha 3, previsto para atender o Leste Metropolitano, tornou-se uma das propostas de mobilidade apresentadas pelos dois candidatos durante a campanha. Paes já prometeu iniciar a implantação da ligação entre São Gonçalo, Niterói e o Rio, enquanto Ruas defende concluir primeiro os estudos técnicos em andamento e buscar recursos federais para viabilizar a obra.
Ruas questiona Paes sobre prioridades
Na pergunta, Ruas cobrou Paes por compromissos anteriores relacionados à expansão do sistema metroviário e colocou em dúvida a capacidade do adversário de cumprir novas promessas.
Paes respondeu afirmando que governou a cidade do Rio, e não o estado, e argumentou que suas prioridades na prefeitura estavam concentradas nas regiões mais carentes da capital.
“Eu governei a cidade do Rio de Janeiro, nunca governei o Estado do Rio de Janeiro. Eu governei a cidade em quatro oportunidades”, afirmou.
Paes citou investimentos em transporte público, principalmente nas zonas Norte e Oeste, e defendeu a opção de concentrar recursos nas áreas que, segundo ele, apresentavam maior necessidade.
O candidato também mencionou a recuperação do sistema BRT e a construção do Terminal Gentileza. Segundo Paes, essas intervenções buscavam melhorar os deslocamentos de moradores da capital e facilitar conexões com passageiros vindos da Baixada Fluminense.
Ruas acusa Paes de mudar discurso
Na réplica, Ruas afirmou que o adversário teria feito promessas eleitorais que posteriormente deixaram de ser tratadas como prioridade. O candidato do PL disse que pretende transformar o planejamento da expansão do metrô em uma política de Estado.
Ruas vem defendendo durante a campanha a implantação da Linha 3, com ligação prevista entre Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Ele afirma que pretende acompanhar um estudo desenvolvido pela UFRJ, previsto para ser concluído em dezembro de 2027, e depois buscar recursos da União e eventualmente da iniciativa privada para executar a obra.
“Eu vou firmar uma parceria com a UFRJ para fazer uma política de Estado, com planejamento, e fazer avançar a expansão das linhas de metrô”, disse Ruas durante o debate.
Paes também assumiu durante a campanha o compromisso de tirar a Linha 3 do papel. Em agosto, afirmou que pretende iniciar as obras e integrar o projeto à expansão da Linha 2.
Paes reage e cita passagem de Ruas pelo governo
Na tréplica, Paes mudou o foco para a passagem de Douglas Ruas pela Secretaria estadual das Cidades, durante o governo Cláudio Castro. O candidato do PSD questionou os resultados da gestão do adversário na área de mobilidade e cobrou intervenções na Baixada Fluminense.
Paes também relacionou Ruas ao grupo político do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e mencionou a prisão do deputado pela Polícia Federal. Bacellar foi preso em dezembro de 2025 em investigação sobre suspeita de vazamento de informações de uma operação que tinha como alvo o então deputado TH Joias, acusado pela investigação de ligação com o Comando Vermelho. A defesa de Bacellar negou obstrução das investigações. Posteriormente, a Alerj revogou a prisão, e o STF determinou sua soltura com medidas cautelares.
Paes ainda acusou Ruas de não ter realizado, quando secretário, obras de mobilidade compatíveis com o volume de recursos administrado pela pasta.
O embate ocorreu no primeiro encontro televisionado desta campanha com Paes e Ruas no mesmo estúdio. Os dois ocupam as primeiras posições da Quaest divulgada nesta terça-feira: Paes aparece com 34% das intenções de voto e Ruas com 25%. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 25 e 28 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número RJ-04419/2026.







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