Líder do CV preso no Rio era mediador de conflitos em ‘filiais’ da facção no país, diz investigação

Interceptações telefônicas revelaram que Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho, também articulava alianças com o aval de Doca

Mesmo atrás das grades no Rio, um líder do Comando Vermelho (CV) era o responsável por coordenar uma estrutura que envolvia resolução de conflitos e até planos de expansão da facção pelo país, indica uma investigação feita pela Polícia Civil.

A Agenda do Poder já havia revelado que a facção operava uma espécie de intercâmbio do crime, que envolve recrutamento de criminosos em confrontos contra rivais e pagamentos de R$ 1 milhão mensais para abrigar lideranças foragidas de outros estados nas favelas do Rio.

Com a quebra do sigilo telefônico de lideranças do CV, a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro identificou que Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho, era o encarregado da articulação.

Citado no inquérito como “diretor de de conflitos regionais”, ele recebia os comunicados das facções em outros estados para resolver conflitos.

Naldinho estava à frente de um grupo de conselhos permanentes montados em Rondônia, Mato Grosso, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte para manter uma comunicação com a cúpula da facção no Rio.

Na época das interceptações, Naldinho estava no Presídio Estadual Gabriel Ferreira de Castilho, conhecido como Bangu 3.

Em uma troca de mensagens de fevereiro de 2025, Edgar Alves de Andrade, o Doca, líder do CV nas ruas, confirma a importância de Naldinho no esquema.

“Nós temos que colocar o Samurai [Naldinho] na linha para nós resolvermos logo essas paradas”, diz, em resposta a um caso envolvendo uma agressão contra um membro do CV em um presídio em Rondônia.

O agressor seria ligado ao PCC e teria rompido com uma espécie de pacto de paz entre as duas facções, que articulavam uma aliança para controlar o tráfico de drogas na região fronteiriça do país.

A Polícia Civil cita o que entende ser a “consolidação do domínio do CV em âmbito nacional” com base na investigação.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) disse não ter tido acesso à investigação e nega que haja confirmação de que o conteúdo tenha sido captado quando Naldinho estava em Bangu 3.

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