Polícia prende 39 em operação no Ceará e descobre que líder do CV agia de dentro de presídio no Rio

Ação bloqueou R$ 12 milhões e revelou como a facção era comandada à distância por detento em penitenciária fluminense

A Polícia Civil do Ceará realizou uma grande operação nesta quinta-feira (5) contra o Comando Vermelho (CV), que resultou na prisão de 39 pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza. Entre os detidos está um dos chefes da facção no município de Maranguape, que obedecia ordens vindas de dentro de um presídio no Rio de Janeiro, informa O Globo.

Segundo as autoridades, 13 dos presos já estavam no sistema penitenciário e outros 25 foram capturados ao longo da ação. Um suspeito, que não era alvo de mandado judicial, acabou detido em flagrante com uma pistola e 45 celulares.

Chefia à distância e recaptura

O líder preso em Maranguape havia deixado o sistema prisional apenas dois dias antes, mas foi novamente capturado por envolvimento direto com a facção. De acordo com as investigações, ele recebia instruções de um integrante da cúpula do CV preso no Rio, que mantinha comunicação com o grupo por meio de celulares.

Esse criminoso já havia sido detido em 2023 em Copacabana, durante uma operação conjunta entre as polícias do Ceará e do Rio. Durante a apuração, os agentes encontraram dez aparelhos na cela que ele ocupava. Nesta quinta-feira, ele foi transferido para o Ceará para ser monitorado de perto pelas autoridades locais.

“Identificamos que ele tinha acesso a diversos celulares mesmo dentro do presídio no Rio. Ele comandava ações criminosas aqui no Ceará, o que motivou o pedido de recambiamento”, afirmou o delegado Ricardo Pinheiro, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo ele, a Polícia Civil solicitará a inclusão do preso em um estabelecimento de segurança máxima.

Bens bloqueados e apreensões

Ao todo, 69 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Três veículos, uma pistola e 40 celulares foram recolhidos para análise. Além disso, cerca de R$ 12 milhões foram bloqueados em contas bancárias ligadas aos investigados, com valores individuais que chegavam a R$ 250 mil.

Em nota enviada ao O Globo, a Polícia Civil destacou que as diligências “seguem em andamento, com o objetivo de localizar outros alvos e aprofundar o desmantelamento da facção criminosa no estado”.

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