A Justiça de São Paulo absolveu William Correia da Silva Júnior no processo em que ele respondia por assédio sexual contra uma atleta de 16 anos durante uma competição realizada em 2021. A decisão foi proferida pela juíza Cristina Alves Biagi Fabri e publicada em 25 de setembro de 2026.
William, que negou as acusações ao longo do processo, é representante de um autointitulado grupo de vigilantes que atua na Zona Sul do Rio. Ele é apontado pelo Ministério Público do Rio como fundador e líder do grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” (AGVC) e chamado pela instituição de “justiceiro de Copacabana”.
A absolvição ainda poderá ser contestada. O Ministério Público de São Paulo informou que recorrerá da sentença.
O que pesou para a absolvição
Segundo a denúncia do Ministério Público paulista, William teria feito comentários inadequados sobre a adolescente e enviado mensagens pelas redes sociais convidando-a a entrar em seu quarto de hotel. Ele também teria entrado no local onde a jovem estava acompanhada de outra adolescente.
William negou as acusações. Em depoimento à Justiça, afirmou que nunca ficou sozinho com a atleta e negou ter feito comentários de natureza sexual ou mantido contato físico com ela.
Ao analisar o caso, a juíza ressaltou que a palavra da vítima possui “extrema relevância” nos crimes sexuais, mas ponderou que o relato deve ser examinado em conjunto com os demais elementos probatórios.
De acordo com a sentença, havia contradições entre as versões apresentadas, enquanto as mensagens incluídas no processo não comprovariam a prática do crime.
A magistrada também afirmou que não identificou nas conversas “comportamento insistente, agressivo ou intimidativo” por parte de William nem tentativa de ficar a sós com a adolescente.
Outro aspecto considerado foi a relação existente entre o acusado e a atleta. Segundo a sentença, William não era professor nem técnico da adolescente, mas atuava como coordenador político da competição.
Diante do conjunto analisado, a Justiça decidiu pela absolvição.
Caso aconteceu durante competição
Na época dos fatos, em 2021, William acompanhou a delegação do Rio de Janeiro que participou de uma competição escolar em São Paulo.
Ele havia sido exonerado do cargo que ocupava no governo fluminense em 2020. Apesar disso, participou do evento no ano seguinte como integrante da equipe de apoio.
A inclusão ocorreu por meio de um termo de colaboração firmado entre a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Rio (SEEL/RJ) e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef). Documentos nos quais William aparece como integrante do staff foram entregues pela associação à Justiça paulista.
O caso foi inicialmente registrado em uma Delegacia de Atendimento à Mulher no Rio. Como os fatos investigados ocorreram em São Paulo, a apuração acabou transferida para a Polícia Civil paulista.
William foi posteriormente indiciado por assédio sexual de forma continuada. A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça em maio de 2026, levando à abertura da ação penal que terminou, em primeira instância, com a absolvição.
Defesa comemora decisão e MP prepara recurso
Em nota, a defesa informou que William recebeu “com serenidade” a decisão e destacou que a sentença foi tomada depois da análise dos depoimentos, mensagens e demais elementos apresentados durante a instrução.
“Embora tenha reconhecido a importância do relato apresentado pela jovem, o Juízo concluiu que o conjunto probatório produzido não demonstrou a prática do crime imputado a William”, afirmou a defesa.
Os advogados também ressaltaram que, segundo a sentença, as mensagens não demonstraram investida sexual nem comportamento insistente, agressivo ou intimidatório.
O Ministério Público de São Paulo, por sua vez, informou que recorrerá da absolvição.
Paralelamente ao processo em São Paulo, William é alvo de investigações no Rio relacionadas à atuação do grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária”.
Segundo o Ministério Público fluminense, o grupo teria organizado perseguições, exposição e atos de violência contra adolescentes apontados como autores de roubos e furtos na Zona Sul. A investigação cita ainda a utilização de redes sociais e aplicativos de mensagens para convocação de “caçadas” e organização de “rondas” informais.
Essas apurações são distintas do processo de assédio sexual no qual William foi absolvido pela Justiça paulista.







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