Nem mesmo o presidente Lula consegue conscientizar a esquerda, especialmente setores do PT, sobre a importância do trabalho conjunto em torno das duas candidaturas ao Senado de sua chapa no Rio. Em mais de uma oportunidade, o líder petista interveio para repreender a militância após manifestações hostis contra a candidatura de Pedro Paulo.
Enquanto a direita se mostra unida e centrada num único objetivo — eleger Carlos Jordy e Portinho —, a chapa de Lula perde energia — e votos — com restrições ideológicas ou de ordem pessoal a Pedro Paulo. Alguns trabalham ostensivamente por Benedita da Silva e Mônica Benício, mesmo cientes da impossibilidade eleitoral de vitória da candidata do PSOL.
Nesta sexta-feira, na manifestação da Cinelândia, e no mês passado, em Moça Bonita, o jingle de campanha do candidato do PSD ou a simples menção a seu nome foram seguidos de apupos pela plateia. A cisão abriu caminho para a ascensão dos dois candidatos bolsonaristas, num comportamento que faz lembrar Leonel Brizola, que, diante de situações como essa, dizia: “Essa é a esquerda que a direita adora”.
Em meio a esse clima politicamente caótico, surgem as traições e sabotagens. Quem circulava por Campo Grande e Santa Cruz nesta sexta-feira se deparou com um derrame de cédulas e colinhas de Benedita da Silva sem o nome de Pedro Paulo.


A bem da verdade, Benedita sempre manifestou publicamente seu apoio ao candidato do PSD. Ocorre que, diante dos sinais de avanço dos bolsonaristas, sua campanha já não se mostra firme nesse propósito. Ameaçada, a petista parece ter partido para o salve-se quem puder, deflagrando, nas últimas horas, campanha pedindo o primeiro ou o segundo voto dos eleitores.

Os últimos dias desta eleição mostram, mais do nunca, que Brizola tinha razão. A esquerda da praça São Salvador definitivamente não aprende. Prefere morrer abraçada aos seus a avançar em defesa da democracia com alianças estratégicas.







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