Justiça rejeita recurso de banca e mantém suspenso concurso de Magé para professores

Tribunal do Rio confirma paralisação do certame com 1,5 mil vagas após suspeitas sobre contratação do Instituto IAN e riscos de prejuízo aos candidatos

A Justiça do Rio manteve suspenso o concurso público da Prefeitura de Magé, na Baixada Fluminense, para professores e rejeitou o recurso apresentado pela banca organizadora, o Instituto de Avaliação Nacional (IAN). Com isso, continua totalmente parado certame até nova decisão judicial.

O concurso oferecia 1,5 mil vagas para a rede municipal de ensino. O salário inicial informado era de R$ 2.189,45.. O Tribunal de Justiça entendeu que retomar o processo agora poderia gerar problemas maiores no futuro, caso irregularidades sejam confirmadas.

O caso começou após ação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que questionou a forma como o município contratou o IAN para organizar as provas.

Segundo a investigação, a Prefeitura dispensou licitação ao contratar a banca, alegando que a entidade não tinha fins lucrativos e possuía qualificação técnica. No entanto, surgiram dúvidas sobre se o instituto realmente atendia aos requisitos necessários para esse tipo de contratação direta.

Suspeitas apontadas no processo

Entre os problemas citados no processo e considerados pelo tribunal estão:

  • falta de estrutura física compatível com um concurso de grande porte;
  • dúvidas sobre o funcionamento real da sede da instituição;
  • ausência de comprovação de equipe técnica suficiente;
  • indícios de pouca transparência em etapas internas do concurso;
  • reaproveitamento de materiais de provas anteriores;
  • uso de aplicativos de mensagens para tratar de temas sigilosos;
  • concentração de funções importantes em poucas pessoas.

O Ministério Público também apontou suspeitas de que o instituto teria arrecadado taxas de inscrição diretamente em conta própria, além de registrar lucro expressivo, o que levantou questionamentos sobre o modelo de contratação.

O que decidiu o Tribunal de Justiça

Os desembargadores entenderam que, ao contratar uma banca sem licitação, a administração pública precisa comprovar de forma clara capacidade técnica, estrutura adequada e reputação compatível.

Na avaliação da corte, esses pontos ainda não ficaram suficientemente esclarecidos no caso de Magé.

Por isso, o tribunal considerou mais prudente manter a suspensão do concurso neste momento para evitar nomeações que possam ser anuladas futuramente.

Recurso do IAN foi negado

Após a primeira decisão, o Instituto IAN apresentou novo recurso pedindo a retomada imediata do concurso. A banca alegou que seus argumentos não teriam sido analisados corretamente.

O Tribunal rejeitou o pedido por unanimidade e afirmou que a decisão anterior já havia enfrentado os principais pontos do caso. Para os magistrados, o recurso tentava apenas reabrir a discussão já decidida.

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