Justiça decide manter Adilsinho em presídio federal de segurança máxima

Decisão reforça avaliação de alta periculosidade de apontado líder do jogo do bicho, investigado por crimes que incluem homicídios e contrabando de cigarros

A Justiça decidiu manter o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, em um presídio federal de segurança máxima. informa o g1. Adilsinho é apontado como um dos principais nomes da cúpula do jogo do bicho no estado.

Ao longo dos anos, ele teria ampliado sua atuação para além da contravenção, passando a ser investigado por envolvimento em uma série de crimes que fortaleceram o poder econômico e territorial do grupo.

Estrutura criminosa e expansão de atividades

De acordo com investigadores, o esquema atribuído a Adilsinho operava em múltiplas frentes ilícitas. Além da exploração tradicional de pontos de jogo do bicho e da operação de máquinas caça-níqueis em bares e estabelecimentos, o grupo também é suspeito de atuar no comércio ilegal de cigarros.

Relatórios policiais indicam que a organização tinha estrutura definida, com divisão de funções e uso de segurança armada para proteger áreas estratégicas. A atuação se concentraria principalmente em bairros da Zona Norte e na Baixada Fluminense, regiões historicamente ligadas à contravenção.

Violência e disputas por território

A Polícia Civil investiga a possível participação do grupo em assassinatos relacionados à disputa pelo controle de áreas do jogo do bicho. Embora detalhes dos casos estejam sob sigilo, a linha de investigação aponta o uso da violência como instrumento para eliminar rivais e impor domínio.

Entre os episódios apurados está a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024. Adilsinho figura como possível mandante no inquérito, que também resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra ele e outros investigados.

Lucros milionários e suspeita de trabalho escravo

Outro eixo das investigações envolve a comercialização de cigarros contrabandeados, geralmente oriundos do Paraguai. A Polícia Federal estima que a atividade gere ao grupo um faturamento mensal de pelo menos R$ 50 milhões.

As autoridades também apuram denúncias de exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão em fábricas clandestinas. Em 2023, uma operação da PF em Duque de Caxias encontrou 19 paraguaios submetidos a jornadas exaustivas e condições precárias de higiene e segurança.

Defesa contesta acusações

Em nota, o advogado Ricardo Braga, que representa Adilsinho, afirmou que a prisão ocorreu sem incidentes e contestou a imagem de periculosidade atribuída ao cliente.

“As imagens da prisão evidenciam que tudo transcorreu dentro da mais absoluta tranquilidade, fato que desconstrói a narrativa de periculosidade atribuída ao empresário. A defesa reafirma que ele confia na Justiça e demonstrará sua inocência quanto a todos os fatos que lhe são injustamente imputados”, declarou.

O g1 não conseguiu contato com a defesa do policial militar Diego D’arribada Rebello de Lima, também citado nas investigações.

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