O contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26), em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A captura ocorreu durante uma ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), com participação da Polícia Federal, da Polícia Civil e do Ministério Público Federal (MPF).

Apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio, ele é considerado pelas autoridades o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. Contra ele havia pelo menos cinco mandados de prisão em aberto, e seu nome constava na lista dos criminosos mais procurados do país, elaborada pelo Ministério da Justiça.
Veja o vídeo da prisão
“Importante ressaltar que esse marginal é responsável por dezenas de homicídios investigados pelas nossas delegacias da capital, Baixada Fluminense e da região de Niterói e São Gonçalo. Homicídios de rivais, desafetos, contraventores, integrantes da máfia do cigarro e também de alguns policiais”, disse o Secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
À imprensa, Curi disse ainda que a quadrilha do contraventor pode estar envolvida no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no dia 26 de fevereiro de 2024. “Ação extremamente ousada da quadrilha desse criminoso”, afirmou.
Como esquema funcionava
Segundo a Polícia Federal, Adilsinho comandava uma organização criminosa armada, com atuação que ultrapassava fronteiras nacionais. O grupo dominava regiões para vender cigarros ilegais e mantinha o controle por meio de ameaças e violência.
Ele é investigado como mandante do assassinato de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, apontado como rival na contravenção. Também responde como suspeito de ordenar as mortes de Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira.
Da polêmica na pandemia ao poder na contravenção
Adilsinho ganhou notoriedade nacional em 2021, ao promover uma festa de luxo no Copacabana Palace em plena pandemia de covid-19, episódio que gerou forte repercussão por causa das restrições sanitárias em vigor na época. Famosos como Ludmilla, Gusttavo Lima, Alexandre Pires e Mumuzinho foram contratados para cantar no evento.
Mas, nos bastidores, sua influência já era conhecida. Investigações apontam que ele controla o jogo do bicho em pelo menos 45 dos 92 municípios do estado do Rio, com presença mais forte na Região Metropolitana.
Em 2010, ele criou o Clube Atlético Barra da Tijuca, equipe que chegou a participar das divisões de acesso do Campeonato Carioca. Além de idealizador do projeto, ele também entrou em campo.
O projeto de uma ‘nova cúpula’
Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal revelaram que Adilsinho defendia a criação de uma “nova cúpula” do jogo do bicho, com o objetivo de substituir os bicheiros tradicionais.
Em diálogos, ele menciona a proposta de renovar a liderança da contravenção, deixando de lado nomes históricos ligados ao carnaval e ao jogo ilegal, como Capitão Guimarães e Anísio Abrahão David. A estratégia incluiria a aproximação com Rogério de Andrade para consolidar um novo grupo de poder.
A ideia, segundo as investigações, era ampliar os negócios para além do jogo do bicho, fortalecendo também a máfia do cigarro e a exploração de jogos de azar online. Um cassino virtual clandestino ligado ao grupo teria movimentado cerca de R$ 130 milhões em três anos.
Relação com o carnaval
Assim como outros contraventores históricos do Rio, Adilsinho buscou espaço e prestígio no mundo do samba. Em 2024, assumiu o posto de presidente de honra do Acadêmicos do Salgueiro. A escola, no entanto, não confirmou se ele ainda mantém o título.
Suspeita de grupo de extermínio
A Polícia Civil investiga a existência de um grupo de extermínio supostamente ligado a Adilsinho. Pelo menos 20 crimes são atribuídos à organização, incluindo homicídios, tentativas de assassinato e um sequestro.
Ele também foi indiciado como possível mandante das mortes de Marquinhos Catiri, aliado de Bernardo Bello, e do segurança dele, Alexsandro, conhecido como Sandrinho.
As apurações da Delegacia de Homicídios da Capital apontam ainda conexões entre o contraventor e o policial militar Rafael do Nascimento Dutra, apelidado de “Sem Alma”, acusado de chefiar o grupo de extermínio que atuaria a serviço do bicheiro.
O advogado de Adilsinho, Ricardo Braga, declarou que a detenção foi realizada de forma tranquila, sem nenhum tipo de ocorrência durante a ação. Ele ressaltou ainda que o cliente mantém confiança no Judiciário e pretende demonstrar sua inocência nas ações que tramitam na Justiça.
A defesa acrescentou que, no momento da prisão, Adilsinho fazia exercícios físicos dentro de casa, seguindo recomendação médica.






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