Justiça decide sobre transferência de Adilsinho para presídio federal

Apontado como chefe da máfia do cigarro e investigado por homicídios, contraventor preso em Cabo Frio pode ser levado para fora do Rio após pedido da Polícia Federal

A Justiça Federal analisa o pedido da Polícia Federal para transferir o contraventor Adilson Coutinho Oliveira Filho, conhecido como Adilsinho, para um presídio federal fora do Rio de Janeiro. Preso nesta quinta-feira em uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos, ele é apontado pelas investigações como um dos principais nomes do jogo do bicho e do mercado ilegal de cigarros no estado.

A solicitação foi feita após a prisão realizada por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RJ), que reuniu policiais federais e civis. Até o momento, não houve decisão judicial sobre a mudança de unidade prisional.

Considerado o contraventor mais procurado do Rio, Adilsinho tinha cinco mandados de prisão em aberto, relacionados a assassinatos e à atuação na chamada máfia do cigarro. Ele foi localizado após dois meses de monitoramento e capturado em um imóvel onde estava acompanhado de um policial militar, suspeito de atuar como seu segurança.

Investigado por homicídios e atuação interestadual

De acordo com as investigações, o bicheiro adotava uma rotina de constantes deslocamentos para evitar ser preso. Ele utilizava imóveis alugados e circulava por regiões de fronteira, principalmente nos estados do Paraná e de Mato Grosso, onde mantinha contatos ligados ao comércio ilegal de cigarros.

A Polícia Civil e a Polícia Federal apontam que o contraventor ampliou suas atividades para cerca de dez estados brasileiros. Em pelo menos seis deles, explorava diretamente o mercado clandestino de cigarros, além de manter operações envolvendo bingos, cassinos e um cassino on-line ilegal que teria movimentado cerca de R$ 130 milhões em três anos.

As investigações também o vinculam a dezenas de homicídios apurados por delegacias especializadas na capital, na Baixada Fluminense e na região de Niterói e São Gonçalo. Entre as vítimas estariam rivais, integrantes do mesmo esquema criminoso e agentes de segurança.

Operação prendeu PM que faria segurança do bicheiro

Na ação que resultou na prisão em Cabo Frio, também foi detido o policial militar Diego Darribada Rebello de Lima. Segundo os investigadores, ele integraria a equipe de segurança pessoal do contraventor.

Adilsinho já havia escapado de outras duas tentativas de captura. Em uma delas, em outubro do ano passado, conseguiu fugir de um cerco policial montado no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio.

Um dos crimes atribuídos a ele é a execução de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinho Catiri, homem de confiança do contraventor Bernardo Bello. O assassinato ocorreu em novembro de 2022 e teria sido cometido por pistoleiros ligados ao grupo de Adilsinho.

Relação com o samba e histórico de ostentação

Além da atuação no crime organizado, o contraventor mantém ligação com o mundo do samba. Ele é patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, que ficou na quarta colocação no desfile do Grupo Especial do carnaval de 2026.

Adilsinho também ganhou notoriedade pública em 2021 ao realizar uma festa luxuosa para comemorar seus 51 anos no Copacabana Palace, com cerca de 500 convidados.

Caso a Justiça aceite o pedido da Polícia Federal, o contraventor será transferido para o sistema penitenciário federal, medida considerada estratégica para dificultar a comunicação com integrantes de sua organização criminosa e reduzir sua influência nas atividades ilegais no Rio de Janeiro.

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