A prisão do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi possível após investigação e monitoramento do policial militar Diego D’arribada Rebello de Lima, apontado como um dos seguranças mais próximos do contraventor. Segundo os investigadores, Adilsinho foi visto no município na segunda-feira (23), o que levou equipes das polícias Federal e Civil a intensificarem as buscas na cidade.
Na manhã desta quinta (26), por volta das 8h, os agentes confirmaram a presença do bicheiro em uma casa alugada no bairro Portinho, às margens do canal de Itajuru. Um helicóptero foi acionado para dar apoio à operação. Quando a aeronave chegou ao local, oito policiais já estavam posicionados nas proximidades do imóvel.
Adilsinho e o policial militar tentaram fugir ao perceber a aproximação das equipes, mas foram alcançados e presos.
Cinco mandados e investigações por homicídios
Procurado há um ano e três meses, o contraventor tinha cinco mandados de prisão em aberto. De acordo com as investigações, ele é suspeito de envolvimento em dezenas de homicídios, incluindo mortes de rivais, contraventores, integrantes da máfia do cigarro e policiais.
Em 2024, Adilsinho era investigado em pelo menos 20 ocorrências relacionadas a assassinatos, tentativas de homicídio e sequestros. Os crimes, segundo a polícia, tinham como objetivo manter o controle do mercado de cigarros ilegais e eliminar concorrentes no jogo do bicho.
A Polícia Federal afirma que a organização criminosa expandiu suas atividades após passar a falsificar a marca de cigarros Gift, produto contrabandeado do Paraguai. Entre 2023 e 2025, três fábricas clandestinas ligadas ao grupo foram fechadas na Baixada Fluminense.
As investigações indicam que a quadrilha atua em ao menos 45 dos 92 municípios do estado do Rio e movimenta cerca de R$ 50 milhões por mês. Parte dos recursos, segundo inquéritos, seria destinada à corrupção de agentes públicos. Uma apuração da Delegacia de Homicídios identificou 23 policiais militares entre os seguranças do bicheiro.
Ligações com o Carnaval
Além das atividades ilícitas, Adilsinho buscou projeção no Carnaval. Em março de 2024, assumiu como patrono do Acadêmicos do Salgueiro. Investigações também apontaram possível articulação com o bicheiro Rogério Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, preso desde 2024 em presídio federal.
A Polícia Federal solicitou à Justiça a transferência de Adilsinho para um presídio federal.
Defesa
O advogado Ricardo Braga, que representa o contraventor, afirmou em nota que a prisão ocorreu “com absoluta tranquilidade” e que o cliente “confia na Justiça e demonstrará sua inocência”.
A defesa do policial militar citado não foi localizada.






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