O contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26), em uma mansão de Cabo Frio, na Região dos Lagos. A captura ocorreu durante uma ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado. A operação foi iniciada nas primeiras horas do dia e contou com a participação de agentes da Polícia Federal, da Polícia Civil e do Ministério Público Federal (MPF).

Imagens feitas no momento da prisão mostram que o imóvel tem pelo menos três andares e piscina. Adilsinho vestia roupas esportivas e boné quando foi surpreendido pelos agentes.
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Segundo as investigações, ele integra a cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e é apontado como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. De acordo com a Polícia Federal, o grupo comandado por ele atuava de forma armada, inclusive com ramificações fora do país, dominando áreas para vender cigarros ilegais e impondo controle por meio de ameaças e violência.

O nome de Adilsinho consta na lista de criminosos mais procurados do país, elaborada pelo Ministério da Justiça. Contra ele havia ao menos cinco mandados de prisão em aberto. Ele é investigado como mandante do assassinato de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, considerado seu rival na contravenção. Além desse caso, responde por suspeita de envolvimento nas mortes de Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira, pela máfia dos cigarros e a um inquérito sigiloso na Justiça Federal.
“Importante ressaltar que esse marginal é responsável por dezenas de homicídios investigados pelas nossas delegacias da capital, Baixada Fluminense e da região de Niterói e São Gonçalo. Homicídios de rivais, desafetos, contraventores, integrantes da máfia do cigarro e também de alguns policiais”, disse o Secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
À imprensa, Curi disse ainda que a quadrilha do contraventor pode estar envolvida no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no dia 26 de fevereiro de 2024. “Ação extremamente ousada da quadrilha desse criminoso”, afirmou.

Operação Libertatis
A prisão está ligada à Operação Libertatis, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2023 e que teve uma segunda fase em março de 2025. A investigação mira crimes como tráfico de pessoas, trabalho em condição análoga à escravidão, fraudes no comércio, sonegação fiscal e delitos contra o consumidor.
Na primeira fase, há três anos, a PF fechou uma fábrica clandestina de cigarros em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no bairro Figueiras. No local, 19 paraguaios foram encontrados em situação degradante.
Conforme a corporação, os trabalhadores viviam dentro da fábrica e enfrentavam jornadas de 12 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive de madrugada, sem direito a folga. Eles não recebiam pagamento, tinham a circulação controlada e trabalhavam sem equipamentos de proteção.
O ambiente, ainda segundo a PF, não tinha condições mínimas de higiene, com esgoto a céu aberto, presença de animais e acúmulo de resíduos da própria produção.
As apurações continuaram e, dois anos depois, a segunda fase da operação resultou na prisão de 12 pessoas. Adilsinho já era alvo naquele momento, mas não havia sido localizado e seguia foragido até agora.
Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, ficou conhecido em 2021 ao organizar uma festa luxuosa no Copacabana Palace em plena pandemia de covid-19, episódio que causou revolta pela aglomeração em meio às restrições sanitárias. Mas sua fama vai muito além das polêmicas sociais: ele é apontado como um dos nomes fortes da contravenção no Rio, com influência no comércio ilegal de cigarros.
Segundo investigações, Adilsinho comanda uma estrutura que domina o jogo do bicho em pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses, com atuação principal na Região Metropolitana.
Nova cúpula
Adilsinho já falou sobre o seu plano para criar uma “nova cúpula” do jogo do bicho e substituir a liderança dos bicheiros mais tradicionais do Rio.
Em diálogos interceptados pela Polícia Federal, ele afirmou que um aliado, citado como “verde e branca”, havia sugerido a formação de uma nova organização e citou o seu plano, que envolvia a renovação da Liderança, deixando de lado os antigos patronos de escolas de samba e banqueiros tradicionais, como Capitão Guimarães e Anísio Abrahão David.
Ele teria buscado se aliar a Rogério de Andrade para fortalecer sua ascensão e consolidar um novo grupo de poder na contravenção. A nova cúpula não focaria apenas no bicho, mas também no controle da máfia do cigarro e em jogos de azar online.
Ele opera um cassino on-line clandestino que movimentou R$ 130 milhões em três anos.
Carnaval
Assim como outros contraventores históricos do Rio, Adilsinho também buscou prestígio no mundo do carnaval.
Em 2024, passou a ocupar o cargo de presidente de honra do Acadêmicos do Salgueiro. A escola não confirmou se ele permanece com o título.
Grupo de extermínio
A Polícia Civil do Rio aponta a existência de um grupo de extermínio vinculado ao seu nome. A instituição apura ao menos 20 crimes atribuídos à atuação dessa organização, entre eles assassinatos, tentativas de homicídio e um sequestro. Em novembro de 2024, a Justiça decretou sua prisão. Ele é considerado foragido e há suspeitas de que tenha deixado o Brasil.
Adilsinho também foi indiciado como possível mandante dos assassinatos de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, aliado de Bernardo Bello, e de seu segurança, Alexsandro (conhecido como Sandrinho). A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta conexões diretas entre o contraventor e o policial militar Rafael do Nascimento Dutra, apelidado de Sem Alma, acusado de liderar o grupo de extermínio supostamente a serviço do bicheiro.
O advogado de Adilsinho, Ricardo Braga, declarou que a detenção foi realizada de forma tranquila, sem nenhum tipo de ocorrência durante a ação. Ele ressaltou ainda que o cliente mantém confiança no Judiciário e pretende demonstrar sua inocência nas ações que tramitam na Justiça.
A defesa acrescentou que, no momento da prisão, Adilsinho fazia exercícios físicos dentro de casa, seguindo recomendação médica.






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