Uma empresária é alvo de investigação sob suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica de 19 anos, grávida, na região metropolitana de São Luís, no Maranhão. As informações foram reveladas com base em áudios divulgados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.
O caso ocorreu em 17 de abril, no município de Paço do Lumiar, mas ganhou repercussão apenas nas últimas semanas após a divulgação das gravações. Nos áudios, atribuídos à empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, ela relata com detalhes as agressões cometidas contra a jovem, a quem acusava de ter roubado um anel.
Violência prolongada e ameaças
Segundo o depoimento da vítima, as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas e socos, evoluindo para uma sessão de violência que teria durado cerca de uma hora. A jovem afirmou que tentou proteger a barriga durante os ataques, mas sofreu múltiplos ferimentos pelo corpo, ficando com hematomas.
Nos áudios, a empresária descreve a violência com naturalidade. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, diz em um dos trechos. Ela também relata que um homem armado participou das agressões, chegando a colocar a arma na cabeça e na boca da vítima.
Mesmo após o anel ser encontrado dentro de um cesto de roupas, as agressões continuaram. “Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto, que até hoje minha mão tá inchada”, afirma em outro momento.
Investigação e provas
A vítima registrou boletim de ocorrência e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), que confirmaram as agressões. O delegado Walter Wanderley, responsável pelo caso, afirmou que os áudios já foram anexados ao inquérito.
“Não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. O áudio é uma prova incontestável”, declarou à TV Mirante.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que o inquérito está em fase avançada e que detalhes não serão divulgados para não comprometer as investigações. A conduta dos policiais militares que atenderam a ocorrência também está sendo apurada.
Defesa e repercussão
Em nota ao g1, Maranhão, a empresária afirmou que sua defesa já solicitou acesso ao processo e que apresentará sua versão “no momento adequado”. Ela também declarou repudiar qualquer forma de violência e pediu que não haja “julgamento antecipado”.
O advogado da vítima, Felipe Serra, informou que a jovem trabalhava havia apenas 15 dias na residência e que serão adotadas medidas judiciais nas esferas trabalhista e criminal.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB no Maranhão solicitou a prisão preventiva da investigada. O órgão também apontou que ela responde a outros processos, incluindo uma condenação por calúnia em 2024.
O governador do estado, Carlos Brandão, afirmou acompanhar o caso e garantiu apoio à vítima. “Esse é um caso grave, que não pode ficar impune”, declarou em rede social.






Deixe um comentário